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O lado B do réveillon de Copacabana

Na festa cujo tema era sustentabilidade, faltou consciência ambiental. A quantidade de lixo na praia foi maior que nos últimos anos, com mais vidro e garrafas pet

O tema da virada do ano na praia de Copacabana foi a sustentabilidade, uma alusão à Rio+20, conferência mundial das Nações Unidas sobre clima e meio ambiente, que acontecerá em julho no Rio. Terminada a festa, o que se viu na praia e nos arredores foi o retrato de um solene desprezo pelo ambiente. Na manhã deste domingo, era grande a quantidade de lixo espalhado pela areia e pelas pistas das Avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana e pela Rua Barata Ribeiro. E, já às 7h30, o diagnóstico do lixo estava dado: aumentou, e muito, o número de garrafas de vidro.

A presidente da Companhia Municipal de Limpeza (Comlurb), Ângela Fonti, acompanhou o trabalho dos 1.300 garis em Copacabana. Por causa da chuva, o lixo ficou mais pesado e a operação de remoção, mais complexa. A Comlurb usou 100 viaturas para retirar os restos da festa da virada do ano. Mas, como consequência de um lixo composto em grande parte por vidro, é difícil assegurar que a areia ficará realmente limpa, o que se torna um perigo para os banhistas. “O poder aquisitivo das pessoas melhorou, e isso permitiu que comprassem mais garrafas de vidro”, explica Ângela. Pelo chão, viam-se centenas de garrafas de vodca e espumante.

O cenário na praia de Copacabana não combinou, definitivamente, com qualquer menção à sustentabilidade. “A sensação é de que teve mais gente e mais lixo”, afirma o diretor da Comlurb Luís Guilherme Gomes. Isopor, latinhas, garrafas PET e sacolas plásticas completaram o rol dos principais objetos encontrados em Copacabana. Enquanto um exército laranja- cor do uniforme dos garis- retirava a sujeira deixada pelos dois milhões de pessoas presentes na praia, para muitos a festa ainda não tinha terminado. Havia até quem, nitidamente embriagado, tentasse subir no trator da Comlurb para tirar foto.

Outros já tinham dado a festa por encerrada. Mas tiveram de ficar em Copacabana mais tempo do que o previsto por causa do transporte. Uma multidão de branco ocupava a Avenida Nossa Senhora de Copacabana e se aglomerava nos pontos de ônibus, todos lotados às 7h. Os coletivos passavam apinhados, paravam fora dos pontos estabelecidos e não davam vazão à demanda. Para completar o oba oba, não havia um agente de trânsito na via nesse horário.

“Estou esperando o ônibus desde as 5h. Todos passam lotados e eu não consigo pegar”, disse Raquel Gonçalves, de 25 anos, às 7h45. Com a filha de sete anos no colo, Raquel tentava ir até o centro da cidade para então pegar outro coletivo e seguir para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Já Beatriz Edilane, de 23 anos, preferiu ficar na praia até que diminuísse o número de passageiros. “Estou esperando esvaziar. Cheguei às 19 horas do dia 31 e não sei que horas vou sair”, conta Beatriz que, com sete réveillons na praia de Copacabana, sabe da dificuldade de deixar o bairro no dia primeiro.

Outra família também preferiu não enfrentar os ônibus cheios e optou por acampar na praia. “Saio cedo, antes do tumulto, no dia 31 e só volto depois. Se não abrir o sol, vamos embora quando o bairro estiver mais vazio. Se fizer, ficamos aqui até a noite”, afirma Marjara Ferreira, de 29 anos. Tudo indica que Marjara não estenderá sua permanência na praia. O tempo no Rio amanheceu pouco convidativo para a praia, e a chuva dos úçtimos dias torna desaconselhável o banho de mar.

Em Ipanema, a situação era melhor no começo da manhã deste domingo. Enquanto em Copacabana parecia que um furacão havia acabado de passar, em Ipanema o trabalho dos garis teve efeito mais rápido. Sem shows e sem fogos, menos pessoas foram passar a virada nas areias do bairro. A Rua Visconde Pirajá e a Avenida Vieira Souto estavam com pouca gente. Pelas ruas só se ouvia o barulho da caçamba do lixo sendo carregada pelos garis. O único local onde as pessoas ainda continuavam a festejar o novo ano era nas imediações da Rua Farme de Amoedo, a preferida do púbico GLS.

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