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O ‘inferno astral’ dos marqueteiros nas campanhas presidenciais de 2026

Trocas de comando ocorrem em ao menos quatro campanhas ao Palácio do Planalto às vésperas do início do horário eleitoral no rádio e na TV, em 28 de agosto

Por Heitor Mazzoco Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 ago 2026, 13h29 | Atualizado em 18 ago 2026, 13h37
O ‘inferno astral’ dos marqueteiros nas campanhas presidenciais de 2026 Priorizar nos meus resultados Google

O papel do marqueteiro em um período eleitoral pode ser crucial para um político ser eleito — e todos que trabalham em uma campanha sabem disso. Exemplos não faltam: em 2006, João Santana assumiu a dura missão de reconduzir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto, enquanto ex-ministros, parlamentares e aliados eram alvos de investigações e denúncias em um dos maiores escândalos políticos do Brasil, o Mensalão. Mesmo com os ventos contrários, Santana foi crucial para ajudar o petista a permanecer por mais quatro anos no poder. Na sequência, o baiano natural de Tucano ainda esteve à frente das vitoriosas campanhas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 — este pleito, já com a Lava-Jato no calcanhar petista e a economia em séria crise. Boas campanhas também passaram pelas eleições vitoriosas de Fernando Collor com o eterno “caçador de marajás” e, no passado mais recente, João Doria com o slogan “Acelera, São Paulo”.

Mas nas eleições de 2026, ao analisar o período de pré-campanha e este começo de disputa por votos, o que chama a atenção são as rusgas entre os presidenciáveis e seus escolhidos para a construção de uma imagem que cative o eleitorado. Um dia após o início oficial da campanha, no último domingo, 16, Ronaldo Caiado (PSD) ficou sem o marqueteiro Paulo Vasconcelos. De acordo com pessoas que integram a campanha, o motivo da troca se deveu a uma divergência de posicionamento, justamente, em relação a Flávio Bolsonaro (PL). Vasconcelos defendia que Caiado se apresentasse ao eleitorado nacional, antes de contestar a experiência do primogênito de Jair Bolsonaro. Parte da campanha, entretanto, queria que Caiado “partisse para o ataque” e citasse a inexperiência de Flávio em cargos do poder Executivo.

As mudanças preocupam as campanhas pelo fato de o horário eleitoral gratuito em rádio e TV começar em 28 de agosto — o que torna as campanhas, já curtas, uma corrida contra o tempo. Outro presidenciável que contará com novo marqueteiro de última hora é Augusto Cury (Avante). Leandro Grôppo saiu da equipe e dará lugar a Sergio Lima. Com Grôppo, a equipe de imprensa também saiu para um novo grupo de comunicadores que estará mais alinhado com o novo integrante da campanha. Um dos motivos para a troca é a falta de alinhamento com as estratégias de campanha e ainda questões financeiras.

Os problemas com marqueteiros não param por aí. A campanha de Flávio Bolsonaro já trocou o posto duas vezes. A primeira, em maio último, quando Marcello Lopes, o Marcelão, deixou o comando da comunicação. Amigo do senador carioca, a permanência no posto-chave se tornou insustentável ainda na pré-campanha diante das notícias sobre a proximidade de Flávio com o ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro — preso em Brasília. Mas, posteriormente, Eduardo Fischer e Alexandre Oltramani assumiram a comunicação e o marketing do filho 01 de Jair Bolsonaro. No final de julho, porém, os dois deixaram a campanha. Agora, Duda Lima assumiu o comando da campanha de Flávio. Ele é aliado de primeira linha de Valdemar Costa Neto há pelo menos duas décadas. Lima atuou na campanha vitoriosa de Ricardo Nunes (MDB) na corrida pela Prefeitura de São Paulo em 2024.

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Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral

A campanha de Lula pela reeleição ao Poder Executivo também sofreu arranhões na área da comunicação. Sidônio Palmeira está afastado das funções típicas de campanha — que já exerceu em 2022 — e seguirá no Palácio do Planalto, à frente da Secretaria de Comunicação do governo. Apesar de não estar diretamente no dia a dia da corrida presidencial, ele deve ser consultado para opinar em alguns momentos. O afastamento do núcleo principal de campanha do petista ocorreu depois dos desgastes sofridos por Lula no episódio em que se descobriu um empréstimo feito pelo então chefe de gabinete da Presidência da República Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, junto à empresária Roberta Luchsinger, um dos nomes citados na CPMI do INSS como pessoa próxima de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha.

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