O fracasso da estratégia da oposição para tentar mudar PEC do fim da escala 6×1
Aliado de Lula, relator no Senado rejeitou mais de trinta emendas que buscavam flexibilizar a jornada de cinco dias e 40 horas semanais
A estratégia bolsonarista para barrar o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado não funcionou. Nesta quarta-feira, 2, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitou mais de trinta propostas da oposição para alterar a PEC do governo Lula, e o projeto foi encaminhado ao plenário sem mudanças no texto aprovado pela Câmara em maio.
Em sua maioria, as 36 emendas à PEC propostas pelos senadores (dezoito enviadas pelo PL) buscavam flexibilizar o limite de cinco dias e 40 horas semanais de trabalho, conforme estabelecido pelo projeto original. A estratégia da oposição, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, era acrescentar trechos à lei que autorizassem empresas a negociar jornadas mais longas do que o teto legal, por meio de acordos com trabalhadores e sindicatos.
No entanto, o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC na CCJ, disse que as propostas que permitem jornadas acima de 40 horas ou cinco dias “descaracterizam o objetivo” e defendeu a manutenção do texto como viera da Câmara. “A PEC é a redução de 6×1 para 5×2, serão dois dias semanais remunerados sem precisar trabalhar. Qualquer outro tipo de acordo não existe”, afirmou o parlamentar.
Ao final da sessão, que teve cerca de seis horas de discussão, os senadores da CCJ seguiram o parecer de Aziz e aprovaram, em votação simbólica (sem contagem de votos), a PEC do governo Lula sem modificações. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o texto para votação em plenário, o que pode acontecer ainda nesta semana.
Aliados de Lula e Flávio Bolsonaro batem boca durante a sessão
Omar Aziz e Rogério Marinho protagonizaram diversos atritos ao longo da sessão, que já havia começado em clima de tensão entre os dois. Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o relator da PEC é candidato ao governo do Amazonas com apoio do PT, enquanto o senador do PL é coordenador nacional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A discussão começou após Marinho dizer que quem defende a PEC do governo “tem má-fé ou é burro”. Aziz retrucou que o colega estaria defendendo “trabalho escravo” e ouviu do bolsonarista que estaria dizendo “uma estultice”. Os atritos escalaram — em dado momento, o senador do PSD alfinetou dizendo que o vice de Flávio Bolsonaro, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), havia votado a favor do texto do governo na Câmara.
Após alguns minutos de bate-boca, quando Aziz já acusava o colega de defender “a PEC do Patrão”, a discussão foi cortada pelo presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), que repassou a palavra a outro parlamentar.







