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O espetáculo da Jornada da Juventude é o público

Peregrinos resistem ao frio, ao vento e às filas sem reclamar. Apesar dos transtornos causados ao bairro de Copacabana, presença dos fiéis é festejada pelos moradores e pelo comércio do bairro, que ficará lotado até domingo

Por Carolina Farina - Atualizado em 10 Dec 2018, 09h59 - Publicado em 26 Jul 2013, 21h37

Frio, chuva, vento e esperas em longas filas para tudo. Nada disso tira o bom humor dos fiéis da Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2013). Eles teriam motivo para reclamar. Afinal, o evento cuja programação foi anunciada há meses sofreu, esta semana, seu maior revés: o Campus Fidei, em Guaratiba, na Zona Oeste, não poderá ser usado, e os dois últimos dias do evento serão em Copacabana, na Zona Sul, com algumas adaptações. Os jovens que seguem o papa Francisco e o saúdam fervorosamente são um público de fazer inveja para qualquer grande evento. Em Copacabana, as lixeiras ficaram repletas. As areias, quase sem vestígios de lixo – bem mais vazias, aliás, do que em qualquer dia normal de praia.

O quinto dia da JMJ teve até a presença mais esperada por quem visita o Rio: o sol. A simpatia sugerida pelo papa Francisco ao prefeito Eduardo Paes – que consiste em enviar ovos para Santa Clara – deu resultado, apesar de não a tempo de salvar o Campus Fidei, já completamente alagado. A nota triste do dia ficou por conta dos cariocas: um protesto com algumas centenas de pessoas dificultou a saída dos peregrinos e causou pânico, com fiéis fugindo em direção ao Leme e abandonando as areias antes do fim das apresentações no palco principal, que foram encerradas duas horas antes do programado.

As forças de segurança, até agora, só tiveram de agir para conter manifestantes – algo que também se deu em Madri, em 2011. De acordo com o jornal El País, oito pessoas foram presas e onze ficaram feridas quando o protesto Marcha Laica cruzou com os peregrinos da Jornada, com confusão, pancadaria envolvendo a polícia e medo entre os fiéis.

Protesto encurrala os perefrinos da Jornada Mundial da Juventude

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Conheça a nova programaçaõ da Jornada Mundial da Juventude, sem Guaratiba

Até o momento, no Rio, se há um grupo do qual não se pode reclamar, é o dos peregrinos estrangeiros e de outras partes do Brasil. Para onde se olha pelas ruas de Copacabana há pessoas cantando: elas andam em grupos de pelo menos dez e, grande parte das vezes, caminham de mãos dadas. O bairro da Zona Sul carioca transformou-se em uma divertida e colorida Torre de Babel: inúmeros sotaques são ouvidos durante as animadas conversas dos jovens, que trocam bandeiras de seus países pelas dos colegas brasileiros.

https://www.youtube.com/watch?v=6QlxVK9ben8

Comércio – Copacabana acabou se tornando também o centro nervoso da Jornada, com o cancelamento da agenda dos dois últimos dias em Guaratiba. Para os moradores, claro, o bloqueio de ruas e os transtornos de um evento do tamanho de um réveillon não chega a ser uma bênção. Mas também não deixa de ser festejado. O clima da JMJ parece ter contagiado quem vive e trabalha no bairro: comerciantes estão em festa e os moradores, pelo menos os que circulam entre os fiéis, estão encantados com os peregrinos.

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Moradora de Copacabana, Leila Silva Moreira saiu cedo de casa na manhã desta sexta-feira para acompanhar a movimentação dos peregrinos pela areia. Ao vê-los montar suas barracas, dizia, encantada: “Que lindo. É preciso muita fé para se dispor a isso”. Leila reconhece que muitos moradores tiveram de interromper algumas de suas atividades cotidianas. Seu marido, por exemplo, está tendo muita dificuldade para ir e voltar do trabalho – na quinta-feira, ele precisou caminhar cerca de três quilômetros, de Botafogo até o apartamento do casal, na orla. Mas ela não reclama. “É algo que podemos tolerar. Acho lindo perceber que há uma geração de jovens que ainda tem fé. Vou sentir saudades deles.”

Já Ligia Dantas reclama dos tapumes colocados na orla e das grades de proteção espalhadas pelas ruas: “Acabo me sentindo encurralada”. Nada, no entanto, que tire a animação com o evento. “Sempre morei aqui, estou acostumada a grandes eventos em Copacabana, mas nunca vi nada tão belo como isso. Os peregrinos nos transmitem muito amor. É sensacional, um espetáculo”.

É difícil encontrar restaurantes pelo bairro que não tenham fila de espera, principalmente à noite, ao término das celebrações na praia. Ao redor das barracas de churros e pipoca, as filas só não são maiores do que as do acesso ao metrô. Na areia, a alegria é dos ambulantes: como os peregrinos não conseguem sair por medo de perder o lugar, quem vende sorvetes, água, pipoca e os famosos biscoitos Globo pela praia faz a festa. “A mudança da missa de Guaratiba para Copacabana foi um bônus para nós, principalmente porque ficamos impedidos de trabalhar durante a montagem do palco”, conta um deles. Os comerciantes informam que a JMJ está contribuindo – e muito – para aumentar o faturamento. Os que vendem lembrancinhas, como toalhas com o rosto de Francisco bordado, terços e bandeiras, também são só alegria.

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<p>Francisco começa a sexta-feira ouvindo as confissões de cinco peregrinos da Jornada Mundial da Juventude. À noite, o pontífice assiste a um dos momentos mais importantes do evento: a Via-Sacra, na praia de Copacabana.</p>
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