O dia em que Lula, Haddad e investigada por tráfico dividiram o mesmo palanque em SP
Evento ocorreu no ano passado, na Favela do Moinho, e gerou ampla repercussão diante da prisão de Alessandra Moja, suspeita de envolvimento com o tráfico
Em setembro do ano passado, uma operação das forças de segurança de São Paulo contra o PCC prendeu Alessandra Moja, irmã do traficante Leonardo Moja, que comandava a venda de drogas na finada Favela do Moinho.
Quase um ano depois daquela ação, Alessandra tornou-se personagem do último debate eleitoral envolvendo a disputa pelo Governo de São Paulo.
No programa realizado no domingo passado, Tarcísio de Freitas, que disputa a reeleição em São Paulo, destacou o trabalho de sua gestão para combater o tráfico de drogas no estado e ironizou o fato de Fernando Haddad, então ministro da Fazenda do governo Lula, ter compartilhado o palco de um evento na Favela do Moinho com a irmã do traficante.
“Temos uma cena ruim, que é a cena de membros do poder, inclusive o doutor Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na Favela do Moinho”, disse Freitas.
Haddad ficou visivelmente contrariado com a afirmação do governador, mas não desmentiu de pronto a fala. “Eu lá vou saber quem é do tráfico”, disse o petista.
Passado o debate, o caso continua sendo abordado por Haddad, mas agora com negativas evidentes de que o tal evento citado por Freitas tenha, de fato, existido. Veja o que disse Haddad, nesta terça, ao ser questionado sobre o caso:
“Eu não localizei essa foto que ele se referiu, não localizei essa foto. Eu acho que ele tá mentindo, inclusive, porque ninguém achou isso aí. Ninguém achou essa foto. Possivelmente ele tá mentindo. Ele deve ter recebido essa informação de alguém, mas não apresentou isso”, disse Haddad numa entrevista para a RedeTV.
A imagem existe e, na verdade, é um vídeo de uma transmissão oficial do próprio governo Lula, durante ato na Favela do Moinho, quando Alessandra foi chamada para o palco onde estava Haddad, Lula e outros ministros do governo.
Haddad aparece, inclusive, alheio ao evento, conversando lateralmente com Márcio França. O fato, aliás, foi amplamente noticiado no ano passado. Afinal, não é todo dia que a equipe do presidente da República permite que investigadas por tráfico de drogas compartilhem o mesmo palanque do chefe do Planalto e de seus ministros.
Se o serviço de inteligência do governo tivesse feito seu papel, nem Lula nem Haddad passariam por esse constrangimento de agora.






