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O desabafo de professora após aluno colocar pedaço de vidro em seu copo de água

Caso é investigado pela Polícia Civil de São José dos Campos (SP) como tentativa de lesão corporal.

Por Laila Nery 3 jul 2026, 17h08 | Atualizado em 3 jul 2026, 17h39
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O relato da professora Michele Ramos, de 37 anos, sobre um episódio ocorrido nesta semana em uma escola municipal na Zona Sul de São José dos Campos (SP), ganhou repercussão nas redes sociais. Em um vídeo publicado em sua rede social ela conta como encontrou uma lâmina de vidro colocada por aluno em seu copo de água durante uma aula e faz um desabafo sobre o que considera o agravamento da violência enfrentada por professores dentro das escolas. Ela lecionava para a 8ª série, que tem estudantes com idades entre 13 e 14 anos, em sua maioria.

Segundo Michele, um aluno teria colocado o vidro no copo e mostrado a ação aos colegas. Ainda de acordo com a professora, outros estudantes presenciaram a cena, mas não a alertaram sobre o que havia acontecido. “O menino simplesmente achou que tudo bem pegar um pedaço de vidro e colocar no meu copo, se exibir para a sala. A sala viu o que estava acontecendo e ficou em um murmurinho”, entre lágrimas, a professora alerta para a violência normalizada entre crianças. “Ao invés de me falar o que tinha acontecido, eles diziam apenas: ‘Se eu fosse você, eu não beberia essa água, professora’.”

O caso é investigado pela Polícia Civil como tentativa de lesão corporal. Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública disse que o caso é investigado pela Delegacia de Polícia da Infância e Juventude (DIJU) de São José dos Campos. “Os adolescentes envolvidos estão sendo ouvidos, na presença de seus responsáveis legais, assim como as demais testemunhas.“

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Abalada, Michele afirma que precisou procurar atendimento médico e pretende registrar o episódio como acidente de trabalho. No vídeo ela relata o impacto emocional da situação. “Eu só quero ir para minha casa e ficar em posição fetal. Eu não quero voltar a trabalhar hoje. Meu relato não basta. Todo mundo me viu naquele estado e isso não é suficiente.”

Ao longo do desabafo, a professora diz que o episódio a levou a refletir sobre a formação das crianças e adolescentes. “Em que momento isso passou a ser normal? Que tipo de educação essas crianças estão recebendo em casa? Eu não sei mais a quem questionar.”

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Segundo Michele, o caso não é isolado, mas representa um cenário de crescente desgaste vivido por professores da rede pública. A docente afirma, ainda, que faz tratamento psicológico em decorrência do trabalho e critica a naturalização do adoecimento entre profissionais da educação. “Eu me trato por causa desse trabalho. Antes eu não precisava de tratamento. Vou ficar me medicando a que custo? Somente para aguentar cada vez coisas piores? A barra vai sempre subindo.”

No fim da gravação, Michele cobra medidas concretas para proteger a saúde mental dos profissionais da educação e afirma que situações como a vivida por ela não podem ser encaradas como parte da rotina escolar. “Eu quero saber o que tem sido feito, o que está sendo planejado. Dá para tratar problemas psicológicos dentro das escolas? Porque eles existem. Chega. Tudo tem um limite.”

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Escola suspende três alunos

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que a direção da escola prestou atendimento imediato à professora, que foi acolhida e encaminhada para atendimento médico.

Segundo a administração municipal, as famílias dos três alunos envolvidos foram convocadas pela direção da unidade após a apuração inicial dos fatos. Os estudantes foram suspensos até o fim do semestre, e o caso foi encaminhado aos órgãos competentes para as providências cabíveis.

A Secretaria Municipal de Educação e Cidadania afirmou que situações dessa natureza são tratadas “com rigor”, seguindo os protocolos de segurança e assistência previstos para preservar a integridade física e emocional dos profissionais da rede municipal de ensino.

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A prefeitura acrescentou que, por envolver menores de idade, não divulgará informações que possam identificar os estudantes, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e informou que continuará acompanhando o caso e prestando suporte à comunidade escolar.

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