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“Nunca tinha ouvido um grito de dor igual”, diz Luisa Mell

A apresentadora fala ao site de Veja sobre sua participação na ação de ativistas que retirou animais de um laboratório no interior de São Paulo

A apresentadora e defensora dos animais Luisa Mell falou ao site de VEJA sobre sua participação na invasão ao Instituto Royal, em São Roque, no interior de São Paulo, para retirar animais usados em testes. Ela diz que na noite de quinta-feira foi convidada por ativistas dos direitos animais a participar de uma “reunião” com representantes do instituto para discutir supostas irregularidades, como descarte clandestino de lixo hospitalar e maus-tratos praticados contra cães da raça beagle, gatos e roedores. Depois de permancer por horas em frente ao instituto, os ativistas invadiram o prédio e Luisa os acompanhou. Segundo ela, a polícia não reprimiu a ação. “Foram coniventes com o ato”, diz a apresentadora. Leia trechos da entrevista.

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Desespero: “A polícia estava querendo prender os ativistas e ninguém negociava com a gente. Logo em seguida ouvimos [sic] ‘gritos’ muito altos de animais. Nós estávamos lá fora e não sabíamos o que fazer. Foi assustador, quase um filme de terror. Eu trabalho com isso todos os dias e nunca tinha escutado um ‘grito’ de dor igual. A gente não podia ficar ouvindo aquilo sem fazer nada. Eu mesma fui até a delegacia e não tinha delegado. Depois eu descobri onde morava um juiz e fui até a casa dele. Expliquei a situação por telefone e ele não quis nem saber. Disse que estava tarde demais para a gente procurar o Ministério Público, que também não foi encontrado na hora”.

Ambiente: “Estava tudo muito escuro e nós estávamos sem equipamento nenhum. Quando eu ia imaginar que precisaria de uma lanterna para uma reunião? O lugar estava totalmente sujo, cheio de fezes no chão. Fica difícil até descrever como era horrível aquilo tudo. Todo o espaço estava muito imundo. Andamos um pouco e logo encontramos os cachorros presos em gaiolas”.

Animais multilados: “Encontramos alguns cachorros que estavam sem pata, sem olho, em um estado deplorável. Teve um cachorro, cuja foto inclusive circulou na internet, que morreu congelado com nitrogênio. É muito triste ver essa situação”.

Choque: “Quando os resgatamos, os cachorros não se mexiam. Eles ficaram imóveis. Eu imagino que eles devam ter ficado desesperados pela experiência com humanos que tinham vivido. Os cães que eu consegui resgatar entraram apáticos no meu carro, totalmente calados e ainda sem se mover. Durante a viagem até São Paulo eu fui brincando com eles, cantando músicas, dando carinho, até que eles começaram a confiar e se soltar”.

Polícia: “A policia tentou impedir a invasão, mas depois que entramos, desistiram. Um policial me viu saindo de lá segurando os cachorros e ainda me deu um tchauzinho. Estão falando que a gente furtou, mas não fizemos nada escondidos da polícia. Os policiais que estavam lá viram o que estava acontecendo e foram coniventes com o ato.” Black blocs: “Eu vi na internet acusações de que os ativistas depredaram o lugar e roubaram computadores. Sinceramente, eu fiquei lá até as 5h da manhã e não vi isso. Falaram que pode ter sido o pessoal do black blocs. De fato, tinha um pessoal mascarado lá, mas eu não posso afirmar que foram eles e nem apontar quem foi porque eu não vi”.