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Novos partidos atraem 45 deputados e afetam aliança governista

Criação do Solidariedade e do PROS agita o Congresso e quase 10% da composição partidária pode ser modificada

A criação de dois novos partidos, Solidariedade e PROS, promete desencadear migrações envolvendo 45 deputados e afetar sobretudo as legendas da base governista. E o PT e o PMDB já trabalham para tirar da gaveta o projeto que inibe a criação de novas agremiações. O objetivo dos partidos governistas é fechar a brecha na regra da fidelidade partidária criada pelo Judiciário. O parlamentar que ingressar num partido recentemente criado não poderá ter o cargo questionado pela legenda que o abrigava anteriormente. A negociação dos novos partidos envolve divisão de tempo de TV em campanhas eleitorais e recursos do fundo partidário.

Nessa quarta, no primeiro dia após o surgimento, os dois novos partidos anunciavam 45 adesões.

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Criado pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, de saída do PDT, o Solidariedade tem caráter oposicionista no plano federal e deve se alinhar a Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014. O PROS, que tem como presidente Eurípedes Júnior, um ex-vereador com passagem por cinco pequenos partidos, provavelmente integrará a base governista no Congresso. Nos estados, entretanto, os dois novos partidos fazem composições com governadores e lideranças da base e da oposição.

A legenda comandada por Paulinho anunciou nesta quarta a adesão de 35 deputados – sendo um deles suplente -, e um senador, Vicentinho Alves (TO), que vai deixar o PR. Em reunião realizada em um hotel na tarde de ontem, dezoito deles já discutiam a forma de ampliar a bancada e fazer um arrastão de filiações também nos Estados.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, o PROS informou ontem a adesão de dez deputados federais, entre eles Vicente Arruda (PR-CE) e Givaldo Carimbão (PSB-AL). O partido vive a expectativa de filiar o governador do Ceará, Cid Gomes, de saída do PSB. Com isso, pode receber a filiação do atual ministro Leônidas Cristino (Portos).

De acordo com as listas divulgadas pelas legendas, o PDT é quem mais sofre com a migração na Câmara. Dos 26 deputados, seis iriam para Solidariedade e dois para o PROS. O PR é outro que deve ter baixas significativas, perdendo 6 de seus 38 deputados. O PMDB aparece na sequência, com cinco perdas. Na oposição, PSDB, DEM e PPS devem ter a saída de dois deputados cada. O PSB, que anunciou a saída do governo Dilma pela candidatura de Eduardo Campos, também tem duas baixas.

A criação de novos partidos é a principal porta de saída para parlamentares insatisfeitos. Neste caso, eles mantêm seus mandatos e ainda levam o tempo de TV e recursos do fundo partidário. No horário eleitoral, a estimativa é que cada deputado represente 2,5 segundos em cada bloco da propaganda durante as eleições. O Solidariedade nasceria com um capital de quase um minuto e meio.

Em relação ao fundo partidário, a divisão é feita com base nos votos recebidos nas últimas eleições, mas a estimativa é que a legenda de Paulinho tenha mais de R$ 10 milhões a receber a partir do próximo ano.

A movimentação pode ter ainda outro ingrediente na próxima semana, caso o Tribunal Superior Eleitoral autorize a criação da Rede Sustentabilidade, partido que a ex-ministra Marina Silva tenta criar para disputar a Presidência.