Novo confronto no 2° protesto da Independência no Rio

De manhã, desfile cívico terminou em confusão generalizada no Centro. À tarde, o embate entre policiais e manifestantes ocorreu próximo ao Palácio Guanabara

Por Cecília Ritto - 7 set 2013, 20h11

O Sete de Setembro no Rio de Janeiro foi marcado por dois grandes confrontos entre polícia e manifestantes. Depois de uma manhã com confusão generalizada no Centro da cidade que antecipou o fim do desfile cívico -, um novo protesto também terminou em correria e baderna no fim da tarde, na Zona Sul da cidade. O grupo que saiu caminhando da Cinelândia queria chegar ao Palácio Guanabara, mas foi impedido por três fortes barreiras de segurança. Na tentativa de furar o bloqueio, policiais reagiram com bombas de efeito moral e balas de borracha.

Os manifestantes chegaram em dois grupos, a partir das 17h, e o primeiro já foi recebido com os artefatos não letais dos agentes que bloquearam todos os acessos à sede do governo. Quando o segundo se aproximou, eles se reagruparam e se aproximaram dos policiais. Palavras de ordem eram dirigidas contra o governador Sérgio Cabral, chamado de ditador. Foi lembrado também o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, levado por PMs no dia 14 de julho. Quando o grupo tentou avançar novamente rumo ao Palácio, a resposta policial foi mais intensa.

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Viva Cazuza – No segundo confronto, uma das bombas de efeito moral chegaram a atingir a Sociedade Viva Cazuza, que atende crianças com aids. Funcionários que limpavam o pátio disseram que a fumaça chegou a arder os olhos e que portas e janelas foram fechadas para evitar que os pacientes fossem atingidos. Duas cápsulas foram encontradas no local, mas o tenente-coronel da PM Mauro Andrade garantiu que não se tratava de gás lacrimogêneo. Imediatamente após a confusão, ele pediu para entrar na casa e se desculpar pelo ocorrido.

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Andrade admitiu que o artefato partiu de um policial. “Vamos averiguar se houve excessos por parte da PM. No mínimo, houve uso indevido do equipamento”, declarou. O tenente-coronel do Grupamento de Policiamento de Proximidade de Multidões ainda comentou que pode ter havido uma falha na comunicação entre os agentes: uma barreira que estava mais atrás não percebeu que o grupo a sua frente havia aberto o bloqueio para a passagem de manifestantes, e reagiu. Houve correria generalizada pelo bairro.

Presos – Por volta das 19h30, a situação começou a se normalizar, com a liberação das vias bloqueadas ao trânsito. Focos de incêndio eram vistos por várias ruas, que ainda tiveram pontos de ônibus e placas de trânsito depredados. Segundo a PM informou em seu perfil no Twitter, somente em Laranjeiras, 50 pessoas haviam sido detidas até as 20h. Esses presos foram encaminhados à DP de Bonsucesso – distante mais de 14 quilômetros. A decisão serviu para evitar que um novo protesto se formasse em frente à delegacia que fica no bairro vizinho do Catete.

O total de presos ao longo de todo o dia chegou a 77, ainda de acordo a Polícia Militar. “Entre as autuações estão os crimes de lesão corporal, desacato, resistência e posse de material popular”, detalhou o perfil da corporação no Twitter. Com os detidos, foram apreendidos estilingue, spray de gás lacrimogêneo, pedras, canivete, bolas de gude, bombas artesanais e toucas.

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Manhã – O primeiro protesto deste 7 de Setembro no Rio de Janeiro evoluiu para uma situação tensa, com lançamento de bombas de gás lacrimogêneo, detenção de manifestantes e tumulto generalizado na Avenida Presidente Vargas. Cerca de 300 manifestantes contornaram a barreira policial montada para evitar a chegada à área do desfile e conseguiram, assim, alcançar a pista lateral.

Por alguns minutos, por volta das 10h15, foi possível acompanhar pela TV a parada militar ocorrendo simultaneamente à correria, com policiais perseguindo mascarados. Segundo a PM, mais de vinte pessoas foram encaminhadas às delegacias da região. Entre os catorze feridos encaminhados ao Hospital Souza Aguiar, havia pelo menos uma criança. Uma agência bancária foi depredada.

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