No Rio, protesto do Grito dos Excluídos tem 4 presos

Manifestação reunião cerca de 200 pessoas no centro da capital fluminense

Por Da Redação - 7 set 2014, 20h36

Quatro manifestantes foram presos neste domingo após um rápido confronto com policiais durante protesto do Grito dos Excluídos, no Centro do Rio, que reuniu cerca de 200 pessoas após o desfile cívico-militar do Dia da Independência. Agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar usaram golpes de cassetete e spray de pimenta contra os manifestantes após um grupo atear fogo numa bandeira do Brasil. Os militantes esperaram o desfile militar terminar e partiram em passeata por volta de 11h30, após negociação com comandantes da PM, pois houve discórdia quanto ao uso de instrumentos musicais no ato.

Militantes do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe), da Frente Internacionalista dos Sem Teto (Fist) e da Frente Independente Popular (FIP) também se juntaram ao Grito dos Excluídos, mas foi mantida uma distância permanente, durante a passeata, entre esses manifestantes e os militantes partidários. Os quatro presos-três homens e uma mulher – faziam parte desse grupo.

Leia também

Blindada contra protestos, Dilma assiste ao desfile em Brasília

Publicidade

Antes de a passeata do Grito dos Excluídos sair, policiais militares dispersaram o protesto do grupo da FIP. Houve algumas discussões e alguns manifestantes foram atacados com cassetetes, mas não foram vistos confrontos mais graves. O confronto mais violento ocorreu por volta de 12h30, em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML), próximo à estação Central do Brasil. Nesse momento, a marcha do Grito dos Excluídos foi interrompida e terminou nas cercanias da estação. Após as detenções, um grupo menor de manifestantes, sobretudo os ligados à Fist e à FIP, seguiram caminhando até o busto de Zumbi dos Palmares, ainda na Avenida Presidente Vargas. A PM não voltou a usar spray de pimenta nem houve mais confrontos, até que tudo terminou pouco após 13h00.

São Paulo – Cerca de 1.000 manifestantes participaram da marcha no centro de São Paulo neste domingo,segundo a Polícia Militar. Já de acordo com os organizadores, foram cerca de 4.500 pessoas. Desde 1995, o protesto acontece tradicionalmente em várias cidades no dia 7 de setembro, em que se comemora a independência do Brasil. O lema deste ano foi “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”, em referência às manifestações populares de junho de 2013. Segundo os organizadores, a passeata também aconteceu em outras onze cidades de São Paulo: Guarulhos, Santos, Jundiaí, Campinas, Aparecida do Norte, São José dos Campos, Salto, Promissão, Itupeva, Andradina e Americana.

Na capital, o grupo se concentrou na Praça Oswaldo Cruz, no Paraíso, a partir das 9h00, informou a PM. Com faixas e bandeiras, as pessoas pediam por reforma política e “padrão Fifa” para direitos básicos da população de baixa renda. “Falta de água é desgoverno dos tucanos”, dizia um dos cartazes. “Constituinte já”, pedia outro. O protesto foi pacífico e não houve detidos. Por volta das 11h50, a manifestação interditava completamente a Avenida Paulista no sentido Rua da Consolação, disse a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A passeata prosseguiu pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, sentido bairro, até chegar à Praça Armando de Sales Oliveira, onde fica o Monumento às Bandeiras, próximo ao Parque do Ibirapuera, na zona sul. O grupo se dispersou por volta das 12h30, conforme informou a CET. Outro núcleo, com cerca de 300 pessoas segundo os organizadores, ficou concentrado até o início da tarde na Praça da Sé, na região central, mas não saiu em passeata.

Belo Horizonte – Cerca de 200 pessoas se reuniram, no Centro da capital mineira, para o Grito dos Excluídos. Integrantes de diversos grupos sociais e de sindicatos protestavam em favor de moradores de rua, negros, mulheres e marginalizadas. A falta de moradia também foi lembrada nas manifestações, que teve como lema “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”.

Publicidade

Para o frei Edmar Moreira, que acompanhou a caminhada, o grupo mais excluído na capital mineira é o de moradores de rua. “Em Belo Horizonte, os moradores de rua e as mulheres marginalizadas precisam de atenção especial. Houve uma limpeza nas ruas da cidade em função da Copa do Mundo. Acredito que as manifestações do ano passado alertaram o povo, mas ainda não deram o empurrão necessário para mudanças reais”, criticou. O Grito dos Excluídos é organizado por partidos e movimentos sociais, como PSTU, PSOL, PCB e Central Sindical e Popular Conlutas.

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade