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No Rio, líderes de partidos tentam amenizar o festival de desconhecidos do horário eleitoral

Legendas lançam mão de políticos tradicionais para compensar excesso de candidatos e pouco tempo na TV

Por Cecília Ritto - 21 ago 2012, 14h28

Com pouco tempo para muito candidato, os partidos adotaram no Rio estratégias semelhantes no primeiro dia de horário eleitoral gratuito na TV. As legendas optaram por abrir ou fechar as aparições de seus candidatos com cabos eleitorais de maior peso. Foi uma forma de compensar o festival de desconhecidos que concorrem a uma vaga no legislativo municipal. No PSDB, o candidato a prefeito, deputado federal Otávio Leite, apresentou os candidatos tucanos – e, claro, ele próprio com pouco tempo de tela, faturou alguns minutos a mais. O mesmo fez o PT, que abriu o seu programa com o candidato a vice de Eduardo Paes, Adilson Pires, e fechou com o senador Lindbergh Farias. Pelo PP, o escalado foi o senador Francisco Dornelles; pelo PSD, Indio da Costa e o deputado estadual Wagner Montes. Na vez do PRB, foi Marcelo Crivella o cabo eleitoral de luxo.

Os representantes do Rio no Congresso Nacional e os deputados estaduais tentaram chamar o voto de legenda, uma lógica que pode ter apelo para quem se identifica com algum partido, mas ainda não se definiu por um candidato específico. A vida do eleitor, como se vê, continua difícil. Em nome da democracia, valeu de tudo no horário eleitoral, até mesmo quem defendesse o “direito de fumar”. O candidato tucano Miguel Fernández y Fernández levou ao ar uma encenação nos seus segundos preciosos de TV. Sentado em um bar, se disse contrario “à ideia do politicamente correto” e prometeu lutar pelo direito dos fumantes – com pouco tempo, não deu tempo de dizer o que ele faria com os não-fumantes.

Houve quem se dissesse candidato dos cachorros. Outro, chamado “o homem memória”, aparentando idade avançada, tentou usar sua capacidade de lembranças para conseguir votos. Pelo PPS, o candidato Marcelo Piauí chamava atenção pela falta de um dente na arcada inferior. Por ironia, em seguida apareceu “Luiz Carlos Dentinho” pedindo para ser eleito pelo mesmo partido. No PSB, houve quem se inspirasse em Tiririca para aparecer. “Eu tô de saco cheio e você? Moniquinha do PSB”.

O vereador que teve maior tempo e pôde explorar sua aparição na TV foi o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM. Ele foi o único candidato a vereador do Democratas a ter espaço no primeiro dia do horário gratuito. “Agora, por amor ao Rio, sou candidato a vereador”, disse Maia. O ex-prefeito afirmou que nos próximos dias, durante a campanha televisiva, vai “conversar sobre os problemas e soluções da cidade”. Maia citou programas realizados em sua gestão como prefeito e lembrou-se de sua relação estreita com os servidores públicos do estado. “Tudo o que fiz como prefeito farei ainda mais como vereador”, disse antes de pedir votos para o seu filho, o candidato a prefeito Rodrigo Maia.

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Flamengo – O melhor é que política e futebol não se misturem. Mas chamou atenção também a quantidade de candidaturas que tentam explorar a identificação com o Flamengo. Marcos Braz, ex-vice-presidente do Flamengo, filiou-se ao PSB e agora quer uma vaga na Câmara dos Vereadores. A atual presidente do clube, Patrícia Amorim, do PMDB, tenta se reeleger vereadora num momento em que grande parte dos rubro-negros anda descontente com os rumos do clube, com direito a atos contra a figura da presidente. O ex-técnico Andrade, que tornou-se desafeto de Patrícia, também disputa o voto dos torcedores do Fla. E, se é para falar com a torcida do clube, Andrade foi quem conseguiu ir mais longe, com um depoimento do maior ídolo rubro-negro da história, o ex-jogador Zico. “Na política, será um verdadeiro campeão”, defendeu o craque.

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