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No mercado de alto luxo, consumo resiste à crise

Por Da Redação
7 dez 2008, 23h30

Por Luiz de França

Em tempos de crise financeira, reavaliar as despesas, substituir marcas caras pelas mais em conta e cortar itens supérfluos passam a fazer parte da vida de muita gente. O mês de dezembro deverá ser marcado por essas atitudes para muita gente, mas não por todos. De acordo com Jessia Lobo Krell (na foto ao lado), consultora de marketing para marcas de luxo da fabricante de bebidas Pernod Ricard Brasil, o público consumidor do mercado de alto luxo até abre concessões em momentos de crise, “mas dentro dos padrões com o qual está acostumado”. Para ela, quem consome esses tipos de produtos e serviços nem pensa em parar de gastar nesse fim de ano.

O mercado de luxo brasileiro possui um público ativo de consumidores estimado entre 500.000 e 800.000, cuja renda familiar mínima é de 22.000 reais. O segmento movimenta cerca de 5 bilhões de reais por ano. São Paulo representa 70% desse mercado, que tem como produtos mais vendidos os de moda (32%), alimentos e bebidas (18%), saúde e cosméticos (14%) e jóias e relógios (14%). Jessia lembra que esse mercado não se restringe aos produtos de altíssimo luxo: ele inclui também o chamado luxo acessível, que possibilita a aquisição de bens de relativo “baixo custo”.

Jessia afirma que nunca viu um momento tão bom para o mercado de luxo no Brasil. “Pelo menos até agora, não há nenhum sinal de que essa crise vá de fato mexer com os negócios desse setor. Nem com os hábitos”, afirma ela. Para a empresária Tatiana Monteiro de Barros (na foto ao lado), proprietária da loja de lingerie La Perla, do Shopping Cidade Jardim, voltado para o público de classe social AA, dificilmente as pessoas desse segmento de consumo deixam de consumir as marcas preferidas. “O que acontece é substituir a bolsa Prada de 4.000 reais que se daria de presente para a mãe por um par de sapatos da mesma marca, que custa 1.500 reais”, explica ela. “Já percebi que algumas pessoas que entram na minha loja deixam de levar um babydoll completo, que é mais caro, mas não deixam de comprar uma calcinha ou um sutiã.”

Na avaliação de Tatiana, a marca exerce um peso muito grande na decisão de compra desse público. “Ela carrega consigo a garantia de qualidade, procedência e de exclusividade, que é uma característica desse segmento”, completa. Em dezembro, o shopping de alto luxo paulistano promoveu uma campanha para dividir em até 10 vezes sem juros as compras de todas as lojas. “Com esse dólar alto, é melhor do que comprar no exterior”, diz Tatiana.

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O empresário Antonio Augusto Orcesi da Costa (na foto abaixo), dono da Tabacaria Caruso, também trabalha com o segmento de luxo. “Aqui temos opções para quase todos os bolsos”, diz ele, mostrando uma caixa de charutos cubanos Cohiba Genius de 2.000 reais com 25 unidades. Costa dá um exemplo de substituição de gastos no segmento de alto luxo: ao invés do Cohiba, o consumidor pode preferir levar um Danneman nacional, por 625 reais a caixa com 25 charutos.

A administradora de empresas Ivete Campos é uma das clientes do shopping que vai se utilizar do chamado “luxo acessível” para evitar mais despesas. “Aquela camisa de 120 reais que eu compraria para um amigo-secreto vai ser substituída por uma de 80,00”, avisa. Ivete diz que vai repensar seus planos para este fim de ano, e já começou com a filha mais velha, que a havia pedido um iPhone como presente de Natal. “Eu já disse para ela que esse tipo de presente está fora de cogitação nesse momento.”

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