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No dia em que anuncia seu futuro, Marina se reúne com Eduardo Campos

Governador de Pernambuco vai oferecer à ex-senadora abrigo no PSB. Marina tem somente até este sábado para se decidir sobre filiação

Por Da Redação 5 out 2013, 11h27

No dia em que anuncia sua decisão sobre a possível filiação a um partido já existente no cenário político brasileiro, a ex-senadora Marina Silva reúne-se com o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. Ele está a caminho de Brasília para o encontro, e pretende oferecer a ela abrigo no partido, para que Marina concorra às eleições de 2014. Mas esta não é a única reunião do sábado para a ex-senadora. Marina e seu grupo político conversam também com o PPS do deputado federal Roberto Freire, que reiterou na sexta-feira o convite para que a ex-ministra do Meio Ambiente se filiasse ao partido, após o revés de Marina no TSE. Na quinta-feira, a Justiça Eleitoral barrou a criação da Rede Sustentabilidade, sigla idealizada pela ex-senadora. E se quiser disputar as eleições do ano que vem, Marina tem até a meia noite deste sábado para escolher uma legenda.

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De acordo com a edição desta sábado do jornal O Estado de S. Paulo, as divisões no grupo político da ex-senadora a forçaram a adiar a decisão sobre concorrer ou não à Presidência da República em 2014. “Ainda estou em processo de decisão. Vamos continuar conversando”, disse ela, na tarde desta sexta-feira, ampliando o suspense sobre os rumos das eleições presidenciais do próximo ano. De um lado, estão os que defendem a filiação a uma das legendas que ofereceram abrigo a Marina, como o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ). Do outro, os que creem que filiar-se apenas para disputar a eleição do ano que vem prejudicaria a imagem da ex-ministra do Meio Ambiente, caso do coordenador executivo da Rede, Bazileu Margarido.

Os que defendem a filiação argumentam que não disputar as eleições seria abrir mão dos 20 milhões de votos recebidos por Marina em 2010 – na ocasião, foi ela a grande responsável por levar a disputa para o segundo turno, que se deu entre Dilma Rousseff e José Serra. Já os demais, alegam que a decisão seria incoerente com o que a ex-senadora vem afirmando até aqui. A indefinição provocou até discussões mais acaloradas entre Marina e seus apoiadores. Após uma delas, Sirkis postou na internet um texto em que faz duras críticas à colega. “Buscamos uma decisão coerente com a Rede. Não é um projeto de poder pelo poder, é um projeto de país, uma visão de mundo”, disse Marina.

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A protelação parece confirmar a fama da ex-senadora: a de ser alguém pouco hábil para tomar decisões práticas. Segundo aliados, os sucessivos adiamentos e alguns pontos do discurso adotado na sexta-feira sinalizam que a ex-senadora estaria disposta a se filiar a um partido e que a dúvida agora é decidir qual deles. Marina disse que a prioridade do partido é “fazer com que a gente aposente de vez a velha República e que possa estabelecer uma melhor contribuição para a renovação da política e das instituições políticas”.

Revés – O registro da Rede foi negado na noite desta quinta-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entendimento de seis dos sete ministros da corte – apenas Gilmar Mendes divergiu -, a legenda não cumpriu o requisito exigido em lei para a fundação de uma nova agremiação, que é a coleta de 492.000 assinaturas certificadas. Sob o argumento de que houve irregularidades no processo de validação dos apoiamentos nos cartórios eleitorais, a Rede queria que a Justiça concedesse o registro ao partido mesmo faltando cerca de 50.000 assinaturas necessárias.

Antes mesmo do julgamento, Marina Silva recebeu propostas de diversos partidos que estão de olho na massa de eleitores que ela carrega. Nas últimas eleições, a ex-ministra do Meio Ambiente recebeu quase 20 milhões de votos, o referente a 19,3% dos votos válidos. Marina atualmente destaca-se como a mais bem colocada adversária na disputa eleitoral com a presidente Dilma Rousseff. Por isso, sua presença na corrida presidencial é considerada crucial pela oposição para forçar a disputa de um segundo turno.

Suspense – Após o TSE ter decido negar o registro à Rede, Marina manteve o suspense sobre seu futuro político: reafirmou que tinha em mente apenas um “plano A” e anunciou que manteria o esforço de criar sua legenda.

Em seguida, se reuniu com militantes para decidir seu futuro político. No encontro, que terminou com o dia já amanhecendo, a ex-senadora foi “extremamente pressionada” a se filiar a algum partido e continuar na disputa presidencial, conforme relatou o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), presente na reunião.

Na sexta, Marina voltou a se reunir com a executiva da Rede para bater o martelo sobre seu rumo. Enquanto a cúpula estava reunida, o presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire, recorreu ao Twitter para fazer um último apelo a Marina: “Reafirmo convite do PPS para que, junto com a Rede, [Marina] se integre conosco para ser candidata e disputar 2014”.

(Com Estadão Conteúdo)

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