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No Alemão, tráfico usa menores para transporte de armas

Na noite de quarta-feira, dois irmãos de 12 e 15 anos foram apreendidos com uma pistola. Bandidos ameaçam famílias das crianças e adolescentes

Por Da Redação 22 mar 2012, 13h03

Um ano e quatro meses após a ocupação do Complexo do Alemão, o tráfico adota uma nova estratégia para entrar com armas nas favelas da região. O crime organizado tem recorrido a crianças e adolescentes para realizarem a tarefa, valendo-se de ameaças aos jovens e suas famílias. Na noite desta quarta-feira, dois irmãos de 12 e 15 anos foram apreendidos por militares da Força de Pacificação do Exército, transportando uma pistola calibre 380, num dos acessos ao Morro da Fazendinha.

Esta já é a sétima pistola apreendida desde 26 de janeiro. As investigações indicam que o tráfico tem optado por inserir armas de pequeno porte e bombas caseiras naquela área. Segundo a Força de Pacificação, os bandidos também estariam incitando moradores a hostilizarem os militares, como no episódio ocorrido durante a visita do príncipe Harry, no último dia 10.

Ontem, durante a visita da presidente Dilma Roussef às obras da Transcarioca, o governador Sérgio Cabral disse em seu discurso que objetivo agora é consolidar as ocupações no Complexo do Alemão e na Rocinha. Devido à grande extensão territorial e o adensamento populacional, essas duas regiões impõem desafios maiores à política de pacificação, com remanescentes do tráfico inflitrados entre os cidadãos de bem.

O cenário de instabilidade obriga o Exército a permancer no local até hoje. A previsão era de que os soldados saíssem até junho, mas o Comando Militar do Leste (CML) já informou que não há mais prazo final. De acordo com o cronograma, a retirada acontecerá de forma gradual, a partir desse mês. O Bope (Batalhão de Operações Especiais) também tem trabalhado na região. No entanto, o Bope, que é a tropa de elite da PM, e o Exército deveriam atuar apenas na retomada das favelas, entregando posteriormente o policiamento às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Mas, no Complexo do Alemão, essa manobra ainda parece arriscada.

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