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No Alemão, começa o maior desafio para a ‘nova polícia’

Exército entrega controle das favelas da Penha e do Alemão à Polícia Militar. Desafio, agora, é evitar que a contaminação das UPPs pela corrupção que arruinou projetos semelhantes

Por Da Redação - 9 jul 2012, 20h43

A partir desta segunda-feira, o policiamento dos complexos de favelas do Alemão e da Penha estão, oficialmente, com a Polícia Militar do estado do Rio. Uma cerimônia no Alemão encerrou formalmente a participação do Exército Brasileiro na missão, pouco mais de um ano e sete meses depois da ocupação cujas imagens correram o Brasil. A saída dos homens foi acompanhada de uma solenidade com a presença do Ministro da Defesa, Celso Amorim, e do governador Sérgio Cabral (PMDB). As tropas entraram nas comunidades no dia 26 de novembro de 2010, com o objetivo de tomar os territórios controlados por traficantes e permitir a instalação de Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs). Com um efetivo médio de 1,3 mil homens, o Exército começou a deixar a área em março deste ano, sendo substituído gradativamente pela Polícia Militar. De acordo com informações das Forças Armadas, 8.764 militares participaram da ocupação desde 2010, período em que foram feitas 733 prisões e detenções. No período, marcado por conflitos com moradores e confrontos com criminosos, a operação contabilizou em apreensões 215 quilos de entorpecentes, 302 automóveis, 197 motos, 131 máquinas caça-níquel, 102 eletroeletrônicos, 42 armas diversas, 2.015 munições, 79 carregadores, 13 granadas e 170 mil reais em dinheiro.

O número que mais orgulha o general Adriano Pereira Júnior, comandante militar do Leste, no entanto, é outro: o de militares envolvidos em desvios. “Se nós considerarmos o todo que nós vivemos aqui e o todo do Rio, e compararmos com outras áreas, veremos que os casos foram bastante reduzidos. Nosso Exército, assim como a Polícia Militar, são compostos por pessoas que vêm da sociedade. Se a sociedade não é perfeita, algumas imperfeições também vêm para essas instituições. Mas o importante é que as instituições logo que cortam esses elementos que não têm a conduta adequada, atuem para afastá-los e puni-los. Isso é que é importante”, afirmou o oficial, logo após a solenidade na favela.

Desvios na tropa ocorrem dentro e fora das favelas. E imaginar uma tropa imune a desvios, como citou o general Adriano, é deixar-se levar pela ingenuidade. Se não passou incólume pelo período de ocupação – e pela excrescência que é empregar as Forças Armadas em uma ação de policiamento, controlando o comportamento de civis – o Exército conseguiu um feito memorável, na história recente da segurança pública no Rio de Janeiro. A percepção geral é de que, se não foi perfeita, a missão conseguiu evitar a contaminação que arruinou projetos de ocupação de favelas no passado. Algo como os desvios que já renderam a prisão de oficiais nas UPPs do Fallet e Fogueteiro e que gerou o afastamento de 12 PMs da Mangueira, no mês passado.

As tropas do Exército voltam para o quartel deixando para a PM o desafio de provar que, como deseja o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) são diferentes da “velha polícia” – contaminada por corrupção e viciada aos mecanismos de ganho ilegal e farto proporcionado pelas quadrilhas de tráfico de drogas.

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(Com Agência Estado)

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