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Nível do Sistema Cantareira cai para 18,8% e comitê quer reduzir vazão

Caso estiagem continue, sistema se esgotará em agosto; racionamento de água ainda não foi descartado

Por Da Redação 13 fev 2014, 10h22

O nível de água armazenada no Sistema Cantareira chegou nesta quinta-feira a 18,8% da capacidade, de acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) – o menor patamar da história. Em vista da cada vez mais preocupante situação no reservatório, o comitê anticrise responsável por monitorar a estiagem no sistema deve recomendar a redução das vazões de água para abastecer as regiões de Campinas e Grande São Paulo, além de sugerir mais medidas de restrição de consumo, como sobretaxar o volume gasto acima da média, como ocorreu na crise do apagão, em 2001. Mesmo assim, o racionamento não está descartado. Segundo projeções feitas pelo governo, o volume útil do Cantareira se esgotaria em agosto no atual cenário.

O documento contendo todas as recomendações deverá ser apresentado até esta sexta-feira para a Agência Nacional de Águas (ANA) e para o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), que publicarão uma portaria com as determinações. Será ainda estipulado um prazo para a Sabesp se adaptar ao novo cenário, em uma tentativa de evitar o racionamento de água generalizado.

Por isso, a Sabesp deverá apresentar ainda um plano para captar água do “volume morto” – parcela das represas utilizada somente em situações emergenciais – do manancial, que tem cerca de 200 bilhões de litros, visando o abastecimento durante o período de seca do meio do ano. Para entrar em operação, a medida depende ainda da instalação de bombas flutuantes que podem levar meses para entrar em operação. Caso esse recurso seja usado, pode levar até dez anos para que os reservatórios voltem aos níveis considerados normais.

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Os reflexos do rápido esvaziamento dos reservatórios já começaram a aparecer nesta quarta-feira, quando milhares de peixes mortos, entre os quais lambaris e tilápias, se acumulavam nas margens do Rio Piracicaba, que apresenta a mais baixa vazão dos últimos 50 anos no verão. As nascentes desse rio fornecem água para o Sistema Cantareira, que abastece 47% da Grande São Paulo.

Ainda nesta quarta-feira, o governo estadual publicou editais declarando de utilidade pública áreas dos municípios de Amparo e Pedreira para a construção de duas barragens de apoio ao Cantareira.

Em Itapeva (MG), moradores estão sendo obrigados a dividir a água com o gado por causa da estiagem. O motivo é o baixo nível do Rio Camanducaia, que também abastece o Cantareira. “Tem de dividir com os bichos para ninguém ficar sem água”, contou o produtor rural Braz Maciel.

Chuva artificial – Diante da atual situação do sistema, a Sabesp decidiu gastar 4,47 milhões de reais por um serviço de indução de chuvas artificiais no Cantareira pelos próximos dois anos. Entretanto, até a última sexta-feira, dos cinco voos feitos pela empresa Modclima na região de Bragança Paulista, apenas dois resultaram em precipitações, que não acumularam quantidade suficiente para elevar o nível do sistema.

(Com Estadão Conteúdo)

A água que abastece São Paulo

O Sistema Cantareira, formado pelas represas Jaguari, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, tem capacidade total de um trilhão de litros e abastece 8,8 milhões de pessoas na capital e outros dez municípios em todo o Estado.

Atualização: 12/2/2014

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