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Na Austrália, 32 mortos em dois meses de inundações

Mapeamentos de áreas de risco, informações precisas sobre eventos climáticos e rapidez no alerta são as chaves para evitar catástrofes

Por Marina Dias - 21 jan 2011, 21h44

A tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro serviu para evidenciar deficiências crônicas do Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec) brasileiro. Do outro lado do mundo, as tempestades que atingem três estados da Austrália – as mais fortes em cinco décadas – deixaram 32 mortos em dois meses de alagamentos. Número que não se pode comparar com as 765 vítimas fatais no Rio em apenas oito dias de chuva.

A principal diferença está na eficiência da Defasa Civil australiana, que age com rapidez tanto na prevenção como no alerta e socorro após o desastre. Milhões de pessoas foram afetadas pelos alagamentos nos estados de Queensland, Nova Gales do Sul e Victoria, com chuvas que provocaram o transbordamento de rios e inundaram milhares de moradias. Já em novembro, porém, quando as tempestades se aproximavam, os centros de monitoramento do nível dos rios e os institutos de metereologia da Austrália alertavam para a mobilização das regiões que seriam afetadas por enchentes.

Estradas foram fechadas e famílias foram retiradas das áreas de risco. Este ano, além do método tradicional, a Defesa Civil resolveu inovar. Em 19 de janeiro, autoridades alertaram os habitantes de Kerang, no norte de Victoria, por torpedo de celular. Eles foram orientados a deixar suas casas carregando suprimentos para três dias de confinamento, já que a elevação do rio Lodden ameaçava a comunidade. “Vocês devem deixar suas propriedades imediatamente”, dizia a mensagem, que chegou para os cerca de 2.500 moradores da região. Depois das tragédias, a Defesa Civil também agiu rapidamente na remoção de destroços e no resgate de famílias nas áreas alagadas.

Alerta para tsunamis – Outro monitoramento de prevenção exemplar é o Centro de Advertência de Tsunami para o Pacífico, da Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos (NOAA, na sigla em inglês). Com sismógrafos e mareógrafos, aparelhos que registram as ondas sísmicas e o fluxo e o refluxo das marés em um determinado ponto da costa, respectivamente, consegue-se calcular com precisão o tamanho das ondas e a área que pode ser atingida por um tsunami com até três dias de antecedência. Um sistema de alerta de sirenes em algumas praias da Indonésia e da Tailândia também serve para avisar as pessoas de que o perigo está chegando e que é hora de procurar um abrigo seguro seguindo as rotas de evacuação de emergência já definidas pela Defesa Civil.

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Vulcões – No Havaí, há uma interação com o serviço de monitoramento americano capaz de fazer com que as autoridades locais prevejam dia e hora exatos da próxima erupção de vulcões como o Kilauea, um dos mais ativos da região e em atividade permanente desde 1983. Além disso, um mapeamento das áreas mais baixas da ilha que podem ser afetadas por uma erupção e, com alto nível de precisão, permite a remoção imediata dos moradores em risco.

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