Mulher que morreu queimada em terreiro no Rio não recebeu socorro, dizem testemunhas
Caroline Pinto dos Santos, de 31 anos, morreu após ter 65% do corpo queimado durante um ritual religioso em Realengo
Testemunhas afirmaram em depoimento à polícia que Gabriel Pimentel, marido da yalorixá Thayane Alves, não prestou socorro a Caroline Pinto dos Santos, de 31 anos, morta após ter 65% do corpo queimado durante um ritual religioso em um terreiro de candomblé em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O incidente ocorreu na noite de 13 de junho. Caroline chegou a ser levada ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, mas morreu semanas depois.
Um vídeo mostra o momento em que Gabriel lança etanol em uma cumbuca que já estava inflamada. Uma vez despejado o álcool etílico, as chamas aumentaram e atingiram a Caroline. Segundo sua irmã, Carina, a vítima chegou a contar que teve de apagar sozinha o próprio corpo com um lenço. Ela também disse que não sabia que a cerimônia envolveria fogo. O caso é investigado pela 33ª DP (Realengo).
Em nota, a Casa do Ogum esclareceu que em nenhum momento autorizou qualquer conduta que, eventualmente, tenha resultado no falecimento de Caroline. De acordo com o texto divulgado pelo terreiro, o estabelecimento religioso desenvolve, há mais de uma década, seus ritos e práticas estritamente fundamentados nos princípios de sua tradição religiosa, sempre pautados pela seriedade, responsabilidade, respeito à vida, à dignidade da pessoa humana e ao fiel cumprimento da legislação vigente.
O proprietário do terreiro, Anderson Bruno de Andrade Júnior, afirmou à polícia que não havia autorizado o uso de materiais inflamáveis. Ele alegou que Gabriel teria buscado o etanol no carro a pedido de Thayane, que guiava Caroline na vida espiritual. Anderson disse que advertiu o marido de Thayane que qualquer uso era proibido, mas que ele teria aproveitado um momento de distração para lançar o conteúdo na tigela perto de Caroline, que estava de costas no momento da explosão.
A defesa de Thayane negou as alegações e disse que “foi prestado imediato socorro à vítima pelas próprias pessoas que atualmente vêm sendo alvo de severa exposição e ataques públicos”. Em comunicado, também prestou “sua mais profunda solidariedade aos familiares e amigos da vítima, reconhecendo a irreparável dor causada por essa fatalidade”. A nota, por fim, indicou que “todos os fatos serão esclarecidos no momento oportuno, por meio dos canais legalmente competentes, com absoluta transparência e respeito ao devido processo legal”.







