MPF nega acordo a homem que surtou em voo da Latam: ‘Todo mundo vai junto para o inferno!’
Caso ocorreu no ano passado, numa rota operada pela companhia aérea entre Palmas, no Tocantins, e Guarulhos, em São Paulo
Em agosto do ano passado, os passageiros do voo da Latam 3395, que fazia a rota entre Palmas, no Tocantins, e Guarulhos, em São Paulo, viveram momentos de terror quando um homem, em plena decolagem, tirou o cinto de segurança, levantou e começou a gritar:
“Todo mundo vai junto para o inferno!”
O caso, digno de cinema, deu origem a um inquérito no MPF por crimes de resistência, desacato e atentado contra a segurança do transporte aéreo. Recentemente, o órgão rejeitou uma proposta de acordo de não persecução penal por entender que os crimes foram cometidos pelo sujeito com uso de violência.
Não é para menos, os relatos daquela viagem assustadora não pararam nos gritos e ameaças do homem.
Depois de levantar, ele seguiu até o banheiro, no fundo da aeronave e começou a dar socos e chutes nas portas, “causando barulho intenso e assustador”.
“O denunciado agrediu comissários com ‘ombradas’, o que exigiu sua imobilização à força”, registra o processo. “Durante a contenção, ele tentou morder uma comissária, desferiu chutes nela e em outro tripulante, e cuspiu em um passageiro que filmava a ação”, segue o documento obtido pelo Radar.
Segundo o MPF, já em solo, o homem se recusou a sair do avião e passou a ofender os policiais federais que foram atender a ocorrência com palavras de baixo calão, oferecendo resistência ativa à prisão, agredindo os agentes com chutes e cabeçadas, o que tornou necessário o uso de uma pistola de choque (Taser) para encerrar o caso.
A denúncia contra o homem foi recebida pela Justiça no fim do ano passado. A defesa dele alega que ele sofreu um surto psicótico, fruto do uso de fortes remédios controlados. Um laudo foi apresentado para atestar que ele sofreria de Transtorno de Ansiedade Generalizada.
Os advogados do homem também questionaram a narrativa de que o réu teria agido com violência contra os presentes, afirmando que ele não teve a intenção de agredir ninguém, que a tripulação não apresentou lesões e que o réu estava apenas se debatendo e tentando se autolesionar (batendo a cabeça na poltrona e na parede da aeronave), e que os movimentos desordenados não foram ataques direcionados aos policiais ou tripulantes.
O caso segue na Justiça.






