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MPF levanta informações sobre empresa e negócios de filho de Bolsonaro

Investigação preliminar apura conexões de patrocinadores do “Zero Quatro” com o governo federal

Por Thiago Bronzatto Atualizado em 19 mar 2021, 00h06 - Publicado em 28 fev 2021, 10h30

O presidente Jair Bolsonaro passou a ter uma nova dor de cabeça com um de seus filhos. O Ministério Público Federal (MPF) está levantando informações sobre os negócios de Renan Bolsonaro em Brasília. O “Zero Quatro” abriu uma empresa na capital federal e passou a intermediar encontros entre empresários e integrantes do governo. Conforme VEJA revelou, o jovem empreendedor chegou a acionar a Presidência da República para marcar uma reunião de um de seus patrocinadores com representantes do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Após o caso vir à tona, o MPF recebeu denúncias de parlamentares da oposição ao governo e instaurou uma notícia de fato, procedimento preparatório para iniciar uma investigação. Para checar a veracidade das informações, procuradores do Distrito Federal solicitaram um levantamento de dados do filho do presidente, da empresa Bolsonaro JR Eventos e Mídia e de seus parceiros de negócios.

Ao solicitar essas diligências, o MPF quer saber se dois patrocinadores de Renan Bolsonaro firmaram contratos com o governo federal ou se receberam recursos públicos. Uma das empresas estava negociando, por meio do Zero Quatro, fechar um acordo com o Ministério do Desenvolvimento para construir casas populares de pedras. A outra, conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo, prestou serviços de produção de vídeos aos ministérios da Saúde, da Educação e do Turismo.

O jovem empresário, que estava desempregado, fundou a sua empresa com um capital social de 105 000 reais. Uma parte desse dinheiro foi doada pelo advogado Luís Felipe Belmonte, suplente de senador e um dos dirigentes do Aliança pelo Brasil, o partido criado para abrigar Bolsonaro e seus aliados.

As denúncias envolvendo a empresa do Zero Quatro irritaram o presidente, que mandou Renan se afastar do seu ex-personal trainer e sócio informal, responsável por angariar patrocinadores. Depois disso, o rapaz, que mora num apartamento de Bolsonaro, passou a tentar deslanchar os seus negócios com a ajuda de sua mãe, a advogada Ana Cristina Siqueira Valle, que se mudou para Brasília.

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