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MP terá acesso a detalhes da ação policial na Cracolândia

Promotor afirma que só com as investigações será possível constatar se houve ou não abusos. Ele esteve reunido com comandantes da operação nessa sexta

Os próximos passos da operação Centro Legal, iniciada pelo governo do estado e pela prefeitura da capital há dez dias na Cracolândia, vão continuar colocando em lados opostos o Ministério Público do estado (MP-SP) e a cúpula da segurança de São Paulo. Após uma reunião a portas fechadas que durou cinco horas nesta sexta-feira, tanto o MP quanto a Polícia Militar mantiveram as suas posições. O promotor Eduardo Valério afirmou que continuará com o inquérito civil para investigar a operação. A partir de segunda-feira, os envolvidos serão chamados para dar explicações. “A reunião de hoje foi apenas para discutir o futuro do caso. Se o que foi feito até agora foi positivo ou não, nós só poderemos avaliar na próxima semana, com as investigações”, afirmou o promotor. O MP conquistou um ponto na queda de braço, pois a partir de agora será informado de cada nova ação que acontecer na área. A PM, por sua vez, apesar do discurso oficial de que a reunião foi “amigável” e em “clima cortês”, não voltou atrás na sua estratégia de atuação. “A ação policial não se modificou e nem se modificará”, afirmou o coronel Álvaro Camilo, comandante da Polícia Militar no estado. Segundo o comandante, os três principais objetivos da operação estão mantidos: quebrar a logística do tráfico de drogas; dar condições para que os agentes sociais e de saúde possam tratar os dependentes e garantir a segurança pública no local. Camilo também anunciou que serão instaladas, até o final de fevereiro, três bases comunitárias da PM na região. “A PM tem buscado o momento certo de agir para causar o menor trauma possível”, afirmou o comandante. Ele avaliou que a atuação tem sido positiva, pois já foram presos setenta traficantes. Apesar disso, reconheceu que levará tempo até que a situação seja resolvida. “Se fosse fácil acabar com isso, o problema da Cracolândia não duraria mais de vinte anos. Não somos inocentes a ponto de achar que vamos acabar totalmente com tráfico, mas vamos reduzir ao mínimo para que aquele volte a ser um local normal da cidade.” A briga – A reunião desta sexta-feira foi marcada pelo MP, após a abertura do um inquérito civil conjunto entre quatro promotorias, com o objetivo de apurar “episódios de violência e truculência” na operação que consideraram “precipitada e até desastrosa”. O inquérito abalou a relação entre o órgão e o governo do estado e a semana foi marcada por troca de farpas entre os representantes de cada instituição.