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MP e polícia fazem operação contra milícia e grilagem de terras no Rio

Três policiais militares, sendo um da ativa, são acusados de comandar a organização criminosa, que atua nos bairros de Rio das Pedras e Muzema

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) realizam uma operação na manhã desta terça-feira 21 para prender treze pessoas suspeitas de integrar uma milícia que atua nos bairros de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste da capital fluminense.

Entre os alvos, estão três policiais militares que foram identificados como líderes da organização. São eles um da ativa, o major Ronald Paulo Alves Pereira, um reformado, o tenente Maurício Silva da Costa, e Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM.

Segundo o MP, as investigações estão baseadas em escutas telefônicas e contatos recebidos pelo Disque Denúncia e apontam que o grupo seria responsável por grilagem de terras, recepção de carga, posse e porte ilegal de arma, extorsão de moradores e comerciantes, ocultação de bens, falsificação de documentos, pagamento de propina a agentes públicos, agiotagem, ligações clandestinas de água e luz, além ameaça e intimidação. Tudo, diz o órgão, com o objetivo de “demonstração de poder, para manutenção do domínio territorial na região de Jacarepaguá”.

Outro citado é Jorge Alberto Moreth, conhecido como “Beto Bomba”, o atual presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras. De acordo com a Promotoria, Beto Bomba obteve o cargo ameaçando e fazendo uso da força e utilizando a organização para dar aparência de legalidade às operações de grilagem. “Beto Bomba goza de informações privilegiadas sobre operações policiais realizadas nas localidades dominadas, sempre alertando seus subordinados, de forma prévia, sobre as intervenções programadas, a fim de que o esquema criminoso não seja desbaratado”, diz o órgão.

Ronald e Maurício, assim como os denunciados Manoel de Brito Batista, Benedito Aurélio Ferreira Carvalho e Laerte Silva de Lima, foram presos. Adriano da Nóbrega, Beto Bomba e outros seis (Marcus Vinícius Reis dos Santos, Júlio César Veloso Serra, Daniel Alves de Souza, Geraldo Alves Mascarenhas, Fabiano Cordeiro Ferreira e Fábio Campelo Lima) permanecem foragidos.

As denúncias apresentadas pelo MPRJ, com variação entre os treze acusados, incluem formação de organização criminosa, homicídio por motivo torpe e corrupção ativa. Entre os fatos listados estão a morte de Júlio de Araújo, assassinado em setembro de 2015 em uma suspeita de “queima de arquivo”, diante da possibilidade de que este denunciasse a organização. Em nota, o MP diz esperar que “a partir dessas prisões, a comunidade passe a denunciar outras práticas ilegais de cobrança de taxas e outros crimes praticados pela organização criminosa”.

Ao final da operação desta terça-feira, foram apreendidas seis armas, farta documentação sobre compra e venda de imóveis, 200 folhas de cheque de alto valor e 50.000 reais em espécie. Para a Promotoria, está “fartamente comprovado”, pelo material apreendido, de que a milícia se dedicava às atividades criminosas.

Marielle

O temor da interferência da vereadora Marielle Franco (PSOL) nas atividades de milicianos, sobretudo na grilagem de terras, foi identificada como uma das prováveis causas do assassinato da vereadora, segundo o general Richard Nunes, que foi secretário de Segurança Pública durante a intervenção federal no estado.

Questionada em entrevista, a promotora Simone Sibilio argumentou que não é possível afirmar, nesse momento, que o grupo alvo da operação desta terça-feira seja o responsável pela execução, mas que isso não pode ser descartado e que os presos de hoje também poderão ser ouvidos em outras investigações.

“Essas pessoas todas, alvos dessa operação e dessa investigação, não podemos afirmar nesse momento que elas tenham relação com o caso Marielle e Anderson, o que nós também não descartamos”, disse. “Se parte dessas pessoas tiverem algum envolvimento na investigação da Marielle, elas serão ouvidas e terão a oportunidade de falar”.