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MP do Rio denuncia Jairinho por estupro e lesões contra amante 

Denúncia foi feita com base em quatro episódios de violência perpetrados pelo político contra ex-namorada, com quem se relacionava até este ano

Por Marina Lang Atualizado em 21 jul 2021, 16h01 - Publicado em 21 jul 2021, 15h55

O ex-vereador cassado Jairo Souza Santos Júnior, conhecido pelo nome político de Dr. Jairinho, de 43 anos, foi mais uma vez denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro na terça-feira, 20. Desta vez, a 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica da Zona Oeste da capital apresentou à Justiça a acusação de crimes de estupro, lesão leve, lesão grave, vias de fato e lesão na modalidade de dano à saúde emocional cometidos contra a assistente social Débora Mello Saraiva, de 34 anos, entre os anos de 2014 e 2020. Ela se relacionou com o político até a morte do enteado dele, Henry Borel, de 4 anos, assassinado no apartamento em que vivia com ele e com sua mãe, Monique Medeiros, de 33 anos. Jairinho e Monique estão presos desde 8 de abril e são réus por homicídio triplamente qualificado e tortura da criança.

  • Débora prestou dois depoimentos à polícia. Na primeira versão, ela declarou que seu filho não havia sido alvo de agressões. No entanto, após VEJA revelar o caso da criança – cuja perna foi quebrada após um passeio com Jairinho – na edição de 2 de abril deste ano, ela voltou à unidade policial, modificou seu depoimento e acrescentou que era agredida pelo ex-vereador. De acordo com a denúncia, em outubro de 2015, Jairinho drogou a ex-namorada e fez sexo com ela sem o consentimento da vítima. Em dezembro de 2016, o político teve um ataque de fúria: cometeu ofensas verbais e agressões físicas com chutes que provocaram fratura no pé da então namorada.

    Foto do menino, à época com três anos, com a perna quebrada após passeio com Jairinho
    Foto do menino, à época com três anos, com a perna quebrada após passeio com Jairinho – Polícia Civil/Reprodução

    As duas últimas agressões ocorreram em 2020. Em Mangaratiba, na Costa Verde fluminense. Jairinho teria dado um golpe mata-leão na ex-namorada, além de tê-la agredido fisicamente. Em abril daquele ano, outra agressão: Jairinho apareceu repentinamente na casa de Débora, onde chegou “já alterado e cobrando explicações acerca de um comentário que a vítima havia feito nas redes sociais”, e a obrigou a entrar no carro, no qual foi agredida com um soco no rosto e puxões de cabelo. 

  • Segundo a promotoria, as agressões físicas e psicológicas ocorreram em “incontáveis oportunidades, com o firme propósito de promover desequilíbrio emocional da vítima a fim de dominá-la, mediante práticas de perseguição, invasão de domicílio, ameaças e ofensas morais. Jairo ocasionou dano à saúde da vítima, espécie de lesão corporal na modalidade de enfermidade emocional denominada ansiedade, tendo a vítima sofrido taquicardia e chegado a receber atendimento de emergência quando constatados 230 bpm [batimentos cardíacos] em situação de repouso”.

    A série de agressões de Jairinho contra crianças e mulheres só veio à tona após a morte de Henry. Segundo o MP do Rio, Jairinho “ostenta histórico de ofensas e agressões, demonstrando não se intimidar com os sucessivos registros de ocorrência policial, apontando ser um autor contumaz especialmente em crimes contra a mulher, vez que contra ele já existem outras ocorrências policiais registradas por fatos similares”.

    Débora Mello Saraiva, amante de Dr. Jarinho, confirmou que ele a agrediu em inúmeras ocasiões e que torturou seu filho
    Débora Mello Saraiva, amante de Dr. Jarinho, confirmou que ele a agrediu em inúmeras ocasiões e que torturou seu filho Facebook/Reprodução
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