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Movimento social israelense em busca de estratégia para o futuro

Por Por Philippe Agret 4 set 2011, 16h41

Após mobilizar mais de 400 mil manifestantes nas ruas, o movimento de protesto social israelense enfrenta agora a necessidade de encontrar uma estratégia para prosseguir, à espera de uma resposta do governo.

Mais de 400 mil israelenses marcharam no sábado à noite pelo centro de Tel Aviv e em cerca de quinze cidades de Israel se manifestando a favor da “justiça social” e contra o alto custo de vida, um recorde desde o início do movimento social, em meados de julho, segundo a imprensa.

De acordo com meios de comunicação, o número de integrantes nas manifestações prova que a mobilização não diminuiu, e que mantém a pressão sobre o primeiro-ministro conservador, Benjamin Netanyahu.

Este último anunciou neste domingo que a comissão encarregada de propor um programa de reformas apresentará suas recomendações em menos de duas semanas.

Diante da importância do desafio, Netanyahu prometeu revisar sua crença liberal para responder ao descontentamento social, mas sem deixar de lembrar que a crise econômica impõe condições, provocando o consequente ceticismo dos manifestantes.

“O movimento de protesto social é um sucesso. Modificou o programa de prioridades políticas e mostrou ao governo que a opinião pública não tinha a intenção de abandonar tudo”, estimou o comentarista econômico Néhémia Shtrasler.

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Mas destacou também que os organizadores – jovens profissionais e estudantes de classe média – encontram-se obrigados a escolher entre posições radicais ou reformas econômicas mais limitadas.

De fato, os líderes do movimento social estão divididos em relação às formas e aos objetivos de sua luta.

Após a gigantesca mobilização de sábado, os moderados consideram que é preciso desmontar os acampamentos, símbolo do movimento, enquanto os mais radicais propõem tornar o protesto mais drástico e ofensivo.

Por enquanto, ainda é difícil saber se “um núcleo de novos líderes, com o talento e as aptidões necessárias, sairá deste grupo, ou se uma nova força política está emergindo para pulverizar as coalizões tradicionais”, comentou Aviad Pohoryles ao tabloide Maariv.

Para a maioria dos analistas, a onda de protestos deste verão de 2011, que se refere tanto aos valores éticos quanto à economia, já imprimiu uma marca indelével na sociedade israelense.

“Nada do que ocorreu neste verão está perdido”, estimou o editorialista Nahum Barnéa,

que acredita que o movimento é a expressão da saturação de uma parte da juventude e das classes médias diante das “somas entregues à colonização” e “do enriquecimento das pessoas próximas ao poder”, em um contexto de alta generalizada do custo de vida.

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