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Motorista que atropelou ciclista na Imigrantes já se envolveu em acidente com morte

Delegado que investiga o caso disse que versão apresentada pelo motorista Sérgio Meliunas, de que estava fugindo de um assalto na rodovia, não é convincente

Por Da Redação - 8 jul 2016, 09h57

Suspeito de matar e atropelar um ciclista na Rodovia dos Imigrantes, o motorista Sérgio Meliunas, de 45 anos, já havia se envolvido em um acidente de trânsito que resultou na morte de uma pessoa em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, em 2007. Nesta quinta-feira, ele passou por audiência de custódia e teve a prisão temporária decretada por cinco dias, prazo que pode ser renovado pelo mesmo período. A defesa do motorista afirma que vai recorrer da decisão.

No caso anterior, Meliunas conduzia um ônibus e acabou se envolvendo em um acidente com outros três veículos na Rodovia Anchieta, na altura do quilômetro 40, em São Bernardo. Quatro pessoas sofreram lesões corporais, segundo boletim de ocorrência da Polícia Civil. Entre elas, havia um homem de 54 anos que precisou ser levado ao hospital, mas sofreu complicações e morreu.

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Na noite do último domingo, o motorista dirigia em alta velocidade um Chevrolet Vectra, de cor prata, pelo acostamento da rodovia dos Imigrantes quando atropelou o ciclista Dorgival Francisco de Souza, de 59 anos. Com o impacto da colisão, Souza teve o braço direito decepado na altura do ombro. O corpo ficou abandonado na pista junto a um retrovisor do carro.

Na delegacia, Meliunas explicou que havia parado o carro para verificar um pneu, quando foi foi abordado por dois bandidos em uma motocicleta, armados com uma faca. “Eu senti que dois motoqueiros encostaram em mim para levar o carro. Aí, um gritou: ‘perdeu, perdeu, perdeu’. Eu saí correndo em disparada”, disse ao Bom dia São Paulo, da TV Globo. Meliunas ainda disse que, num primeiro momento, pensou que havia batido em uma pedra e só percebeu que o braço do ciclista ficou preso no carro quando parou, após dirigir por dois quilômetros. Então, retirou o braço de Souza do veículo e o deixou na rua. “Eu não sabia o que fazer. Não tinha condições para contratar um advogado”, afirmou.

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Responsável pelas investigações, o delegado Miguel Ferreira da Silva, titular do 4º Distrito Policial de Diadema, afirmou que a versão apresentada pelo motorista “não é convincente”. “Temos imagens de toda a rodovia e não identificamos nenhuma motocicleta abordando ou perseguindo o carro, que anda pelo acostamento em altíssima velocidade”, disse Silva.

“Durante o trajeto, ele passa em frente a um posto da Polícia Rodoviária e em nenhum momento para para pedir ajuda ou comunicar que estava sendo vítima de roubo”, disse o delegado. Ferreira da Silva também questionou a declaração de que Meliunas não percebeu que havia atropelado alguém. “O braço da vítima adentrou no veículo pelo para-brisa. Existe uma quantidade enorme de material hemático (sangue) e até de pedaço de carne humana no veículo, conforme a perícia já constatou. Não é uma mão ou um dedo, é um braço. É muito grande para ele dizer que não viu”, afirmou.

Segundo a Polícia Civil, após o incidente, Meliunas resolveu ir para casa, tomar banho, e, depois, foi até a empresa de ônibus, onde trabalha, e dormiu dentro de um coletivo. Foi preso em flagrante na quarta-feira, quando estava no trabalho, após três dias foragido. Segundo o delegado-assistente Ricardo Eduardo Guilherme, do 4º DP,, o motorista confessou o atropelamento e deve responder por homicídio doloso, omissão de socorro e fuga do local do crime. Os policiais conseguiram encontrá-lo após receber uma denúncia anônima, informando o endereço onde o carro estava estacionado.

O veículo estava em uma casa no Jardim Laura, bairro de São Bernardo, coberto por uma capa automotiva. Ao inspecioná-lo, investigadores constataram que havia marcas de sangue e que o modelo era o mesmo que aparecia em imagens de câmeras de segurança. Os danos na lateral, no para-brisa e a ausência de um retrovisor também eram condizentes com o atropelamento.

O advogado de defesa de Meliunas, Lourenço Luque, diz que vai tentar revogar a prisão temporária do cliente. “Estou analisando os fatos para entrar com recurso”, afirmou. “Ainda não entrei no mérito porque foi uma audiência de custódia, portanto não sei o teor da imputação. O Ministério Público ainda vai fazer a denúncia”, disse. Questionado sobre o envolvimento de Meliunas em acidentes anteriores, Luque afirmou que “não tem conhecimento” de nenhum caso. “Na audiência de custódia, foram citadas apenas agressões domésticas, mas ele não tem antecedente por acidente de trânsito ou homicídio”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)

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