Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Morre o fotojornalista Göksin Sipahioglu

Fundador da agência Sipa, uma das mais importantes do mundo, o fotógrafo turco tinha 84 anos

O fotógrafo turco Göksin Sipahioglu, fundador da agência Sipa, morreu na última quarta-feira, aos 84 anos.

Nascido em 28 de dezembro de 1926 em Esmirna, litoral da Turquia, Göksin Sipahioglu se formou em jornalismo pela Universidade de Istambul. Trabalhou como editor do Istambul Express em 1954, antes de criar o jornal Yeni Gazete, que marcou época em seu país ao priorizar a publicação de fotografias. Como editor do jornal Vatan, modernizou o conceito de jornalismo e triplicou a circulação da publicação.

Ao final dessas experiências domésticas, achou que era hora de voos mais ousados. Em 1962, consegiu ser o único fotógrafo ocidental a entrar em Cuba, em plena crise dos mísseis soviéticos. “Tinha um passaporte de marinheiro e entrei a bordo de um cargueiro turco que transportava trigo”, lembrou em 2008, em entrevista à agência France-Presse. “Tirei fotos e 40 jornais dos Estados Unidos as publicaram na primeira página.”

Depois da experiência mudou-se para Paris, como correspondente do jornal turco Hurriyet, e em 1966 suas fotos passaram a ser vendidas no mundo todo, distribuídas, então, pelas principais agências da época como Dalmas, Associés Reporters, Gamma of France e Black Star of America.

As revoltas estudantis da capital francesa, em 1968, foram um divisor de águas na carreira de Sipahioglu. Publicadas pelo jornal Les Trublions, suas fotos das manifestações se transformaram em símbolos do movimento. Foi nesse ano que ele se juntou ao time da renomada agência Gamma.

A serviço da Gamma, propôs uma viagem para a antiga Chechoslovakia, onde pretendia cobrir a Conferência Bratislava. Líderes comunistas do mundo todo se reuniriam ali. A agência recusou a pauta, mas Sipahioglu decidiu ir assim mesmo, bancando seus gastos. Duas semanas depois de chegar a Praga, a Chechoslovakia foi invadida pelos soviéticos.

A experiência o levou a partir em definitivo para o voo solo. Em 1969, fundou com a esposa, a jornalista americana Phyllis Springer, a agência de fotografia que carregava seu próprio nome: Sipa Press. Hoje é reconhecida como uma das maiores agências de fotografia do mundo.

Como não dispunha de capital para recrutar fotógrafos consagrados, Goksin Sipahioglu abriu então as portas a jovens talentos que, uma vez treinados por ele, ajudaram a difundir o nome da agência com trabalhos marcantes de fotojornalismo ao longo da história.

Entre os talentos formados pela “Sipa Press” estão fotógrafos como Christine Spengler, Chauvel Patrick, Apesteguy Francis e Alain Mingam, que posteriormente se tornariam “estrelas” de outras agências.

Além de imprensa diária e semanal, a “Sipa Press” contribuía com revistas de mais de 30 países, entre ela VEJA.

Com a globalização da economia, que passou a exigir capitalização das empresas, a Sipa se viu em dificuldades financeiras. Os tempos haviam mudado, Sipahioglu tinha mais 70 anos e decidiu que era hora de parar. Vendeu, então, a Sipa e todo seu acervo com mais de 30 milhões de fotografias ao grupo “French Media Group Sud”

As fotos de Sipahioglu figuraram até hoje em exposições e retrospectivas em todo o mundo.

(Com agência France-Presse)