Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

‘O papel e a caneta eram as armas da minha neta’, diz o avô de Ághata

Sob gritos de Justiça, aplausos e buzinaço, centenas de pessoas seguiram em comitiva do velório

Centenas de pessoas acompanharam o velório da menina Agatha Vitória Sales Felix, de oito anos, em Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na tarde deste domingo (22). Moradores do Complexo do Alemão, onde Agatha foi atingida por um tiro nas costas, organizaram uma caminhada da favela até a capela onde a criança foi velada. O ator Fábio Assunção estava entre os participantes da homenagem. “Tenho uma filha de oito anos, a mesma idade da Ágatha. A sociedade tem que se posicionar contra a violência”, disse. A mais nova vítima da violência do Rio foi enterrada às 17h no cemitério de Inhaúma.

Ágatha foi atingida quando estava com o avô em uma kombi na favela Fazendinha, no Complexo do Alemão, onde a família mora. Segundo testemunhas, ela estava sentada no veículo quando policiais militares atiraram em uma moto e atingiram o veículo, baleando a criança. Ela chegou a ser levada para a UPA do Alemão e transferida para hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.

Sob gritos de Justiça, aplausos e buzinaço, centenas de pessoas seguiram em comitiva do velório em direção ao cemitério onde a menina Ághata foi enterrada. Avô de Ágatha, Airton Félix fez um discurso emocionado durante o enterro da neta. “O papel e o lápis eram a arma da Ágatha, uma menina estudiosa que hoje, pela primeira vez, andou na nossa frente e não ao nosso lado. Agora, minha neta está no céu”, disse. Um parente da menina chegou a passar mal e precisou de ajuda para ir embora. Durante o cortejo, um morador do Complexo do Alemão alertou os amigos e familiares de Ágatha que havia um tiroteio na Favela da Fazendinha.

Comitiva de pessoas no velório da menina Ághata

Comitiva de pessoas no velório da menina Ághata (Jana Sampaio/VEJA)

Em nota, a Polícia Civil informou que policiais envolvidos na ação que resultou na morte da menina Ágatha serão ouvidos na Delegacia de Homicídios da Capital nesta segunda (23). As armas dos PMs serão enviadas para perícia, bem como o projétil extraído do corpo da vítima, para confronto balístico.

Durante a semana será definida uma data para fazer uma reprodução simulada para descobrir de onde partiu o tiro. Segundo a DH, familiares da criança foram ouvidos no sábado (21) e novas testemunhas prestarão depoimento a partir de segunda (23).

Desde o início da gestão do governador Wilson Witzel, que defende uma política bélica de combate ao crime organizado, 1249 pessoas foram mortas, entre janeiro e agosto deste ano. Os dados são do Instituto de Segurança Pública do Rio, que aponta uma média de cinco mortes por dia.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Paulo Bandarra

    Já dos seus vizinhos era consumir drogas.

    Curtir

  2. ViP Berbigao

    A hora q um bacana do asfalto for morto ao subir o morro para ‘ver um baguio’ aí o caldo vai entornar?

    Curtir