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Moradores da Rocinha relatam tortura praticada por PMs da UPP

“Começaram a me agredir, colocaram um saco na minha cabeça e me deram choque", contou ao 'Fantástico', da Rede Globo, um adolescente. Em vídeo, outro homem aparece sendo enforcado por um policial

Na favela onde o pedreiro Amarildo desapareceu depois de ser levado à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local, surgem novas queixas de agressões por parte dos PMs. Moradores da Rocinha foram ao Ministério Público registrar práticas de tortura cometidas pelos policiais dentro da unidade. Em reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, um adolescente, que responde por associação ao tráfico no Juizado da Infância e Adolescência, relata ter levado choque no rosto, no pescoço e no braço.

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“Começaram a me agredir, colocaram um saco na minha cabeça e me deram choque”, contou. No dia 13 de junho, véspera do desaparecimento de Amarildo, o rapaz foi levado à unidade durante a Operação Paz Armada, que tinha por objetivo desarticular o tráfico de drogas na Rocinha. De acordo com o menor, a sessão de tortura, dentro da UPP, só terminou quando familiares foram ao local para resgatá-lo.

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O Fantástico mostrou também um vídeo amador no qual um policial em patrulhamento pelas ruas da favela enforca um morador enquanto uma multidão de pessoas grita pedindo que a agressão parasse. “O policial me chamou para me revistar. Falei que tinha carteira assinada, que era trabalhador e que ele podia me revistar”, disse a vítima.

Cadê Amarildo – A troca do comando da UPP da Rocinha foi anunciada em 28 de agosto. O desaparecimento de Amarildo de Souza, visto pela última vez na noite de 14 de julho, no momento em que era levado por policiais para a sede de UPP, tornou a permanência do major Edson Santos à frente da UPP da Rocinha insustentável. Santos foi substituído pela major Priscila de Oliveira, a primeira comandante de uma Unidade de Polícia Pacificadora no Rio. Considerada “conciliadora”, Priscilla é vista na PM como uma especialista no policiamento de proximidade. A major comandou a UPP da Dona Marta, em Botafogo, entre 2008 e 2010.

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