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Ministro oferece apoio federal ao Ceará e alfineta governador

Neste domingo, petista Camilo Santana cobrou União por 'combate ao crime organizado'; Torquato Jardim insinua 'razões políticas'

Por Guilherme Venaglia - 29 jan 2018, 10h51

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou que será constituída uma força-tarefa federal para “subsidiar a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará com investigação e informações de inteligência” após a chacina que matou catorze pessoas no último sábado, em Fortaleza. O grupo contará com as participações da Secretaria Nacional de Segurança, da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

O anúncio foi feito em nota divulgada após as declarações do governador do Ceará, Camilo Santana (PT), que cobrou “ações mais efetivas do governo federal em relação ao crime organizado e ao tráfico de drogas”. Torquato Jardim alfinetou Santana, dizendo que a União seguirá apoiando os estados “ainda que os governantes não solicitem apoio por razões eminentemente políticas”. Filiado ao PT e ligado ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT), Camilo Santana faz oposição ao governo de Michel Temer (PMDB).

Segundo a nota divulgada pelo Ministério, a força-tarefa tem como objetivo “propiciar aos órgãos de segurança do estado que atuem para reprimir de forma exemplar a ação de grupos criminosos envolvidos na chacina do último sábado”. Na entrevista coletiva concedida após reunião com entidades, Santana evitou confirmar o envolvimento de facções criminosas, mas disse que o Ceará está “pagando um preço muito caro hoje por falta de uma política nacional”.

“O tráfico e as facções começaram no Rio e em São Paulo e se espalharam pelo Brasil inteiro. Isso é uma briga de território. É um negócio ilícito que precisa de toda uma ação integrada. E o governo federal tem que cumprir o seu papel, a sua responsabilidade”, afirmou.

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Chacina

Por volta das 0h40 de sábado, criminosos armados invadiram a festa “Forró do Gago” no bairro de Cajazeiras, na periferia de Fortaleza, abrindo fogo contra dezenas de pessoas que estavam no local. Catorze pessoas morreram, sendo oito mulheres e seis homens, e outras dezoito ficaram feridas.

A principal suspeita é a de que o caso seja mais um episódio da guerra entre facções criminosas no estado. Até o momento, cinco envolvidos, sendo três mandantes, já foram identificados e um homem foi preso portando um fuzil. Após a reunião deste domingo, o governador afirmou que as outras prisões seriam executadas “nas próximas horas”, mas o estado não divulgou novas prisões desde então.

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