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Ministério Público vai analisar pedido para trocar delegado de caso de estupro

Advogada da jovem violentada por 33 homens fez o pedido depois de questionamento sobre se o crime havia mesmo ocorrido

A defesa da jovem de 16 anos vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro teve uma reunião na noite deste sábado com representantes da Coordenadoria de Direitos Humanos e das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Segundo o coordenador de Direitos Humanos do MP-RJ, Márcio Mothé, os pleitos apresentados pela advogada Eloísa Samy Santiago serão encaminhados pelo promotor responsável pelo caso, Márcio Nobre.

Nobre é o responsável pelos casos relacionados à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, que cuida do caso de estupro porque filmagens do crime caíram na internet. Em entrevista ao jornal RJTV, da TV Globo, Nobre ressaltou que o comportamento da vítima não tem influência sobre a apuração da ocorrência de estupro e que a simples divulgação de vídeos já configura crime.

Em entrevista ao Estado, Mothé evitou fazer comentários sobre a conduta da polícia no caso, embora tenha admitido que a defesa estava indignada “com razão”. “O estupro é um crime absurdo, hediondo, com pena muito maior do que a divulgação (dos vídeos)”, afirmou Mothé, ressaltando que falava em caráter “genérico” e pessoal, não em nome do MP-RJ.

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Segundo o procurador, a advogada Eloísa reclamou que a investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática não está dando a devida atenção ao crime de estupro, dedicando mais atenção à questão da divulgação dos vídeos. Mais cedo ao Estado, Eloísa afirmou que o delegado Alessandro Thiers, titular dessa delegacia especializada, está criminalizando a adolescente. “Ele perguntou à vítima se ela tinha por hábito participar de sexo em grupo”, disse.

Em resposta, a Polícia Civil afirmou em nota que “a investigação é conduzida de forma técnica e imparcial, na busca da verdade dos fatos”.

A pedido da Polícia Civil, a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ) acompanhará as investigações sobre o estupro.

O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que representar contra o delegado “faz parte da democracia”. “Se a advogada tiver razão, vamos adotar as medidas necessárias”, disse Veloso ao RJTV, da TV Globo.

Depois da reunião no MP-RJ, Eloísa disse ao Estado que estava confiante de que teria uma resposta do promotor do caso na segunda-feira.

(Com Estadão Conteúdo)