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Militantes do PT do Rio querem fim da aliança com o PMDB de Cabral e Paes

Alessandro Molon organiza protesto para sexta-feira, pregando "coragem para mudar". “Vou lutar até junho para o PT ter candidato próprio", diz

“Se continuar assim, o PT sairá das eleições de 2012 menor do que está, mais descaracterizado e enfraquecido”, afirma Molon

O PT do Rio de Janeiro está em crise. O centro do problema é a aliança do partido com o PMDB no estado, legenda do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. Encabeçado pelo deputado petista Alessandro Molon, o movimento ganhou a adesão de militantes contrários à continuidade da dobradinha entre as duas siglas. O grupo prepara para sexta-feira um ato de protesto contra as ações do diretório regional do PT, que já jurou lealdade aos peemedebistas para a reeleição de Paes, em 2012. A ala dissidente quer ter candidato próprio, apesar de já estar formalizada a indicação de Adilson Pires, vereador do PT, para vice na chapa de Paes. “Apoiá-lo é ceder ao caminho mais fácil, mas não o melhor”, afirma Molon.

Com popularidade em alta e muito ‘combustível’ para campanha, com as dezenas de projetos olímpicos em andamento, Paes é tido como favorito. O ato de sexta tem como slogan “Coragem para mudar” e acontecerá na sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ). Em um pequeno texto de três parágrafos, o movimento diz ter por intuito “resgatar o PT/RJ”. A convocatória tem 58 assinaturas de professores universitários e integrantes de sindicatos. Os primeiros nomes a encabeçar essa lista são o de Molon e o do ex-prefeito e senador do Rio Saturnino Braga. Para Molon, ainda há tempo para reverter a decisão do diretório de compor para a prefeitura uma aliança com o PMDB. “Vou lutar até junho para o PT ter candidato próprio, confio que a militância vai virar esse jogo”, diz o deputado.

Os partidos políticos sabem da dificuldade que será enfrentar Paes nas urnas. E a necessidade de levar a eleição para o segundo turno faz com que ter candidato próprio seja a estratégia dos partidos de oposição. PSDB e DEM terão os seus – os tucanos ainda em dúvida, mas com preferência pelo deputado Otávio Leite, e o Democratas com Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito Cesar. A estratégia é pulverizar a eleição, evitar que Paes obtenha maioria em primeiro turno e, de quebra, emplacar mais vereadores.

No PT, por enquanto, a corrente dominante pensa diferente. O partido tem preferido garantir permanência no governo e sacrificar algumas bandeiras históricas. “O PT participa de um governo (do PMDB) que não guarda identidade com o nosso programa e princípios. Não há debate com a nossa militância. Estamos perdendo a musculatura política no Rio e nos afastando dos movimentos sociais”, alerta Molon.

A convocatória resume o sentimento dos petistas insatisfeitos: “Não deixaremos que transformem o PT em linha auxiliar de qualquer partido. Não aceitamos integrar governos cujo preço da participação seja a renúncia aos princípios éticos e programáticos que marcam a trajetória de nosso partido”. Até agora, o que se tem de fato é uma ampla aceitação petista às medidas de Cabral e de Paes. Os dois políticos encontram na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e na Câmara Municipal do Rio o respaldo no ombro amigo do PT. “Há medidas contrárias do PMDB às crenças do Partido dos Trabalhadores. A relação com as concessionárias de transportes públicos é um exemplo. As decisões são tomadas mais em função das empresas do que do usuário”, afirma Molon.

O movimento tenta evitar que, no Rio, o PT se transforme em um partido de vices. E Molon, em particular, tem razões para lutar para que isso não aconteça. A subserviência ao PMDB sacrificou a candidatura de Molon em 2008, quando ele chegou a ser anunciado como candidato que teria o apoio de Sérgio Cabral. O governador, no entanto, fez uso de sua força na ocasião para virar o jogo. Molon, que insistiu na candidatura, obteve apenas 5% dos votos, contra quase 32% de Eduardo Paes – no segundo turno, o peemedebista derrotou Fernando Gabeira, do PV, por cerca de 1% dos votos. Desde então o PT, que nunca chegou a ser uma potência no estado, tem desempenhado papel de coadjuvante no Rio, deixando, inclusive, o peemedebista Cabral assumir o papel de interlocutor preferencial da presidente Dilma Rousseff – mantendo a parceria que já existia com o ex-presidente Lula. “Se continuar assim, o PT sairá das eleições de 2012 menor do que está, mais descaracterizado e enfraquecido”, resume Molon.