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Miliciano acusado de chefiar Escritório do Crime é morto pela polícia

Adriano Nóbrega, suspeito de participar da morte de Marielle Franco em 2018, morreu em confronto com agentes do Bope neste domingo, 9, no litoral da Bahia

Por Jana Sampaio - Atualizado em 9 fev 2020, 19h48 - Publicado em 9 fev 2020, 13h22

Um dos suspeitos de participar da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018, foi morto pela polícia na manhã deste domingo, 9. Segundo a informação antecipada pelo jornal O Globo e confirmada por VEJA, Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto durante uma troca de tiros com policiais do Batalhão de Operações Especiais da Bahia. A ação foi realizada com apoio do setor de inteligência da Polícia Civil do Rio. Em entrevista a VEJA, o advogado Paulo Emílio Catta Preta disse que Adriano temia ser morto como “queima de arquivo”.

Apontado pelo Ministério Público do Rio como chefe do Escritório do Crime, milícia formada por assassinos de aluguel que atua na Zona Oeste do Rio, Adriano foi localizado no sítio do vereador do PSL Gilsinho da Dedé, na área rural da cidade de Esplanada, no litoral baiano, uma semana depois de ser alvo de operação para prendê-lo.

Na ocasião, apenas a mulher, as filhas de 17 e 7 anos e uma carteira de identidade falsa foram encontradas em um condomínio fechado na Costa do Sauípe, na Bahia. Ex-capitão do Bope, Adriano estava foragido há cerca de um ano e era suspeito de participar de diversos homicídios. Ele estava sendo investigado pela inteligência da Secretaria de Estado de Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público.

Ligação com Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Conforme VEJA adiantou em uma matéria de junho de 2019, Adriano e Fábrico Queiroz, que trabalharam juntos no 18º Batalhão da PM, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, se envolveram em um homicídio em 2003. Juntos, Adriano e o sargento Queiroz atiraram em Anderson Rosa de Souza por volta de 0h30 de 15 de maio de 2003, durante uma ronda na Cidade de Deus. Souza morreu em consequência dos tiros, e a dupla, na madrugada, foi a uma delegacia registrar o que qualificou de auto de resistência — na sua versão, dispararam para se defender. No inquérito que se seguiu (em que aparecem como testemunhas, em vez de atiradores, por ser deles o relato dos fatos) consta que os dois e mais quatro policiais foram atacados “por vários indivíduos armados”. Só Queiroz e Adriano revidaram à “injusta agressão”.

Anos mais tarde, Queiroz recrutou a mãe e a esposa do miliciano, que à época já era notório no submundo do crime, para trabalharem com ele no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Em dezembro, o Ministério Público do Rio constatou que Queiroz usou as contas bancárias da mãe e da mulher de Adriano para repassar parte do salário delas, em um esquema que ficou conhecido como “rachadinha” no antigo gabinete do Zero Um, Flávio. O deputado, em 2005, chegou a homenagear o miliciano com a Medalha Tiradentes, a mas alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio.

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