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Metrô de São Paulo opera parcialmente em meio a greve

Na linha 1-Azul há circulação entre as estações Ana Rosa e Luz. Já na linha 2-Verde,os trens operam entre Ana Rosa e Clínicas. Na 3-Vermelha, as composições funcionam entre as estações Bresser-Mooca e Santa Cecília. CPTM e linha 4-Amarela do metrô operam normalmente

Atualizada às 7h57

A greve por tempo indeterminado do sindicato dos metroviários deixou os trens do metrô de São Paulo parcialmente paralisados em quatro linhas nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, exatamente a uma semana do início da Copa do Mundo.

O metrô informou que opera parcialmente as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. Às 6h28 desta quinta-feira, alguns trechos começaram a colocar composições em circulação. Na linha 1-Azul há circulação entre as estações Ana Rosa e Luz. Já na linha 2-Verde, há operação entre as estações Ana Rosa e Clínicas, lembrando que a Ana Rosa é ponto de interligação entre os trechos. Já na linha 3-Vermelha, os trens operam entre as estações Bresser-Mooca e Santa Cecília.

Às 5h20, porém, o metrô informou que a linha 5-Lilás voltou a operar em toda a sua extensão, da estação Capão Redondo ao Largo Treze, na Zona Sul da capital.

A linha 4-Amarela do metrô, que tem administração privada, e as linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) não são afetadas pela greve, pois seus funcionários não pertencem ao sindicato dos metroviários.

Segundo o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, a rede de Metrô funcionava com um terço de sua capacidade por volta das 7h30 desta manhã.

Depredação – Uma das regiões mais afetadas da cidade é a Zona Leste. Mais cedo, antes das 7h da manhã, houve depredação na estação Itaquera, na linha 3-Vermelha, onde há interligação entre metrô e CPTM. Cerca de oitenta pessoas, revoltadas com a falta de transporte, derrubaram dois portões de acesso. Eles chegaram a invadir a plataforma e desceram até a via. A Polícia Militar foi acionada e continua no local. Na plataforma da CPTM, os manifestantes jogam o líquido de um extintor de incêndio na estação. Eles foram retirados do local pela PM.

Trânsito – A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 87 quilômetros de congestionamento às 7h. Os piores trechos são: Radial Leste, sentido centro, da Praça Divinolândia até o Viaduto Pires do Rio; Marginal Pinheiros, sentido Rodovia Castelo Branco, da Ponte do Socorro até a Ponte Morumbi; e Marginal Tietê, sentido Rodovia Castelo Branco, da Ponte Freguesia do Ó até a Rodovia Castelo Branco.

Cerca de quatro milhões de usuários do sistema podem ser penalizados, estima a Companhia do Metropolitano de São Paulo, que administra o metrô.

A São Paulo Transporte (SPTrans) acionou o Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese) para criar três linhas especiais de ônibus para atender os passageiros da Linha 3-Vermelha, que liga as zonas Oeste e Leste da capital e é a mais cheia do sistema.

Os ônibus atendem os trechos entre a estação Itaquera e o Parque Dom Pedro II, no Centro, e entre o Parque Dom Pedro II e a estação Artur Alvim. Este último trecho terá ônibus circulando via Radial Leste e via Tiquatira. Além disso, o rodízio municipal de veículos está suspenso nesta quinta. Os agentes da CET também entraram em greve na noite desta quarta-feira. A categoria reivindica reajuste de 12,9% enquanto que a empresa oferece 8%. A faixa reversível montada diariamente na Avenida Radial Leste não entrou em operação na manhã desta quinta-feira.

Negociação – Os metroviários rejeitaram a contraproposta de reajuste salarial de 8,7%, apresentada pelo governo de São Paulo em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) – o sindicato exige o aumento de “ao menos dois dígitos”. Ainda nesta quinta haverá uma nova assembleia, marcada para às 15h. O piso salarial da categoria é de 1.323,55 reais. A próxima assembleia foi convocada para as 17 horas desta quinta-feira, depois de uma nova audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), prevista para as 15h30.

O TRT determinou que os metroviários mantenham 100% da rede em operação nos horários de pico e 70% no restante do dia. A liminar prevê multa diária de 100.000 reais ao sindicato caso os termos sejam descumpridos. O presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, garantiu que, mesmo com a liminar, os metroviários não trabalharão. Isso porque a assembleia foi realizada antes de o sindicato ser formalmente notificado pelo tribunal.

Desde a manhã de quarta, os funcionários do metrô já anunciavam a greve em vagões e terminais. Na última semana, o sindicato chegou a sinalizar a possibilidade de liberar as catracas em vez de paralisar a circulação de trens. A ação, entretanto, foi desautorizada pelo governo paulista.

Além do reajuste salarial, o sindicato pede plano de carreira para o pessoal da manutenção e da segurança, e a participação nos resultados (PR) de forma igualitária para todos os funcionários – atualmente, a diretoria costuma ganhar uma porcentagem maior do que os demais empregados. A carta de exigências foi entregue ao governo há dois meses e foram realizadas cinco reuniões nesse período – em nenhuma delas chegou-se a um acordo.

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(Com Estadão Conteúdo)