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Garoto morto no Habib’s teve parada cardíaca por uso de drogas

Laudo: ‘Morte ocorreu de forma súbita e teve origem cardíaca relacionada ao uso de uso de substâncias entorpecentes e ilícitas’. Delegado descarta homicídio

Por Teo Cury - Atualizado em 10 dez 2018, 10h13 - Publicado em 7 mar 2017, 13h47

Um laudo feito pelo Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Civil de São Paulo, apontou que a morte do adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, no dia 26 de fevereiro, em uma unidade do Habib’s na zona norte de São Paulo, foi provocada por uma parada cardiorrespiratória causada pelo uso de lança-perfume e de substâncias análogas a cocaína.

De acordo com o laudo, a “morte ocorreu de forma súbita e teve origem cardíaca, relacionada ao uso de substâncias entorpecentes e ilícitas“. O exame aponta, ainda, “a ausência de lesões ou sinais hemorrágicos em região cervical”, o que poderia ser um indício de que ele foi agredido, como investiga a polícia. “A calota craniana também não apresentou fraturas”, afirma o documento do IC. O documento da perícia atestou que o menino apresentava “coração com hipertrofia miocárdica em ventrículo direito e esquerdo”.

Segundo o laudo, o “exame evidenciou presença de cocaína na concentração de 38 mg/ml”, o que indica uso crônico de análogos da droga. Ainda de acordo com o exame, o tricloroetileno e o clorofórmio, também detectados, “são substâncias miocardiotóxicas e estão associadas à morte súbita de origem cardíaca“. Os dois produtos são usados na fabricação de lança-perfume. Em seu atestado, o médico legista Danilo Vendrame Vivas atestou a causa mortis como sendo “cardiopatia precipitada e agravada por uso de substâncias entorpecentes / ilícitas”.

O menino pedia dinheiro aos clientes e já havia sido advertido por funcionários por causa da prática. Em depoimentos feitos à polícia, uma catadora de material reciclável e um motorista de ônibus afirmaram terem visto o menino ser agredido pelos seguranças. A polícia investigou essa hipótese, mas o delegado Antonio Celso Berna Peduti afirmou que ela está descartada. Segundo ele, “o laudo é categórico ao dizer que não houve agressão”. O delegado completa, atestando que “não houve homicídio” no caso.

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Imagens de câmeras de segurança mostram funcionários do Habib’s arrastando o menino, aparentemente inconsciente, pela rua e deixando-o na calçada da lanchonete. Outro vídeo mostra o menino segurando um pedaço de madeira. Por meio de nota, o Habib’s informou que está apoiando a investigação, que repudia qualquer ato de violência e que afastou os funcionários envolvidos no caso até o fim das conclusões da polícia.

Veja o laudo pericial do menino João Victor Souza Carvalho.

Estresse potencializou efeito das drogas

De acordo com André Malbegier, coordenador do Programa Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas Taquicardíaca, estresse do momento pode ter potencializado o efeito das drogas no organismo do jovem.

“É conhecido da maioria que o uso de lança-perfume, principalmente durante o Carnaval, é um fator de risco. Isso porque há a liberação de adrenalina, substância que pode promover taquicardia e arritmia”, exemplifica Malbegier.

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Segundo o especialista, o risco poderia seria menor se João Victor não estivesse passando por um momento de estresse.

Abaixo, câmera de segurança flagra garoto mexendo em pedaço de pau e, em seguida, momento em que foge dos seguranças, sendo carregado, um minuto depois, já sem vida.

 

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