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Memorial do 11/9 em Nova York alivia um pouco a dor das famílias das vítimas

Por Por Mariano Andrade 11 set 2011, 14h43

A inauguração do Memorial do 11 de setembro em Nova York, com suas monumentais fontes de onde a água flui permanentemente, foi a grande novidade para as famílias das vítimas dos atentados de 2001 nesta cerimônia de 10 anos dos ataques, marcada pela dor, mas também por algum alívio.

“Vim no primeiro ano, no quinto e agora. Não sei se virei de novo. Estou aqui para ver o memorial, as cascatas”, disse à AFP Patti Schwartz, uma americana que perdeu seu marido Mark, bombeiro, na tragédia.

Depois de anos vendo um lugar sinistro e conhecido como “Marco Zero” pela desolação que atingiu o lugar depois dos atentados às Torres Gêmeas, as famílias podem finalmente encontrar um local para recordar os seus de maneira mais adequada.

Chegaram com fotos de seus entes queridos e permaneceram diante do palco para esperar a leitura dos nomes das 2.983 vítimas, os discursos das autoridades e os minutos de silêncio da tradicional cerimônia de homenagem.

O dia amanheceu com o céu azul, e pouco a pouco se tornou nublado até o primeiro minuto de silêncio às 8h46 local. Quando um dos aviões sequestrados se chocou com a torre norte do WTC, o sol também desapareceu.

“Debra Ann Di Martino, te amamos”, “Philip T. Hayes, para sempre em nossos corações”, lia-se nos cartazes perdidos na maré de gente. Alguns choravam ao lerem os nomes das vítimas.

Pouco depois do segundo minuto de silêncio, às 9h03, para lembrar do momento em que o segundo avião sequestrado atingiu a torre sul do WTC, a guarda de honra abriu as portas do Memorial, parque inaugurado para recordar os mortos nos ataques.

No espaço, 200 carvalhos foram plantados e duas fontes escuras com cascatas onde a água flui ininterruptamente foram construídas no lugar exato onde estavam as Torres Gêmeas.

O nome e sobrenome de cada vítima estão inscritos nas fontes. Nos telões instalados se via como alguns familiares acariciavam e beijavam as inscrições.

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A maioria ficava com os olhos perdidos na água das fontes. Rosas e bandeiras americanas foram as principais oferendas deixadas pelas pessoas no local, que será aberto ao público na segunda-feira.

Muitos gravavam com lápis o nome de quem perdeu na programação oficial dada pelas autoridades.

“Venho todos os anos, não perco nenhuma cerimônia. Cada vez é menos duro, mas nunca é fácil. Agora com este memorial o lugar parece muito melhor. É um novo passo adiante”, afirmou Nancy Novaro, que perdeu sua cunhada Catherine Lisa Loguidice, de 30 anos.

Nancy, 52 anos, carregava uma placa com a foto de Catherine e não acredita que o memorial acabará com a dor das famílias. “Para nós a dor continuará. Talvez nossos netos vão conseguir virar a página”.

Para Wil Rodríguez, de 45 anos, dez anos depois a recordação ainda é muito forte, a morte de seu melhor amigo, o policial de Nova Jersey David Lemagne, continua afetando sua vida.

“Parece que foi há apenas alguns meses”, disse.

Longe de crer que o capítulo do 11 de setembro está fechado, Wil lamenta que “o terrorismo continua aí”, apesar da eliminação do líder da Al-Qaeda, Osaba Bin Laden, cérebro dos atentados.

“Não é apenas uma pessoa. Temos que ficar unidos. Eles podem atacar qualquer país em qualquer lugar: Estados Unidos, Canadá, Europa, Ásia”, concluiu.

No palco, os nomes das vítimas continuaram a soar, lidos por homens, mulheres, crianças, jovens, avós, asiáticos, latinhos, africanos, italianos.

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