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Memorial da anistia ainda está só no papel

Por AE

São Paulo – Ao mesmo tempo em que mobiliza forças para instalar a Comissão da Verdade, destinada a investigar violações de direitos humanos ocorridas na ditadura, o governo federal não consegue por em pé o Memorial da Anistia, em Belo Horizonte. Lançado em 2009, com apoio de Dilma Rousseff, então na chefia da Casa Civil, o projeto continua no papel.

O memorial foi planejado para ser construído por meio de parceria entre o Ministério da Justiça e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com orçamento de R$ 21 milhões. Hoje o advogado Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia, vinculada ao ministério, deve se reunir em Belo Horizonte com representantes da universidade para tratar do assunto.

As duas partes vão assinar um novo acordo, redefinindo a data para concluir da obra: outubro de 2013. O mandato de Dilma termina dali a dois meses, em dezembro. Em outras palavras, o risco de sair sem concluir a obra é considerável.

A parceria entre o Ministério da Justiça e a UFMG foi definida em abril de 2009, com a participação da Casa Civil. Estabelecia que uma parte do memorial seria aberta ao público em dezembro do mesmo ano. Funcionaria no histórico edifício do Colégio da Aplicação da UFMG, que sofreria uma ampla reforma.

Idealizado para abrigar arquivos com a história do regime militar, do ponto de vista dos perseguidos políticos, o Memorial da Anistia atraiu a atenção da Dilma por dois motivos. O primeiro é o fato de ela ter estudado na UFMG, onde também iniciou a militância no Comando de Libertação Nacional (Colina), organização que defendia a luta armada para a derrubada da ditadura.

O segundo é que a iniciativa integra um projeto mais amplo, chamado Memórias Reveladas, que ela ajudou a idealizar, com a missão de instalar centros de referência sobre a história da ditadura em várias partes do País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.