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Medalha de matemático iraniano é furtada no Rio minutos após premiação

Medalha Fields é considerada o “Prêmio Nobel da Matemática”; honraria e carteira do pesquisador foram roubadas no próprio pavilhão do evento

A Medalha Fields de Matemática entregue nesta quarta-feira (1º) no Rio de Janeiro ao curdo iraniano Caucer Birkar foi furtada no Riocentro, onde a cerimônia foi realizada. A peça de 6,35 centímetros de diâmetro é feita de ouro 14 quilates. Os organizadores estimam seu valor em 5.500 dólares canadenses (cerca de 15.850 reais).  Os ladrões levaram também a carteira do pesquisador.

“A organização do Congresso Internacional dos Matemáticos (ICM) lamenta profundamente o desaparecimento da pasta do matemático Caucher Bilkar, que continha em seu interior a Medalha Fields recebida na cerimônia realizada esta manhã”, indica um comunicado dos organizadores.

Esta é a primeira vez que o Congresso Internacional de Matemáticos ocorre no Hemisfério Sul.

Segundo relatos, Bilkar deixou sua pasta, com a medalha, sua carteira e celular, em cima de uma mesa no pavilhão. Os objetos foram roubados menos de meia hora depois do matemático receber seu prêmio.

Quando Birkar percebeu o furto, a equipe de segurança do congresso foi acionada. A pasta foi encontrada debaixo de uma arquibancada, mas não havia sinal da medalha ou da carteira. Apenas o celular foi deixado para trás.

Segundo a organização do evento, as imagens das câmeras do local mostram dois homens mexendo nos pertences do matemático. A Delegacia Especial de Apoio ao Turista do Rio de Janeiro está investigando o caso.

O iraniano Caucher Birkar recebeu a honraria junto com o italiano Alessio Figalli, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ), o alemão Peter Scholze, da Universidade de Bonn, e o indiano Akshay Venkatesh, das universidades americanas Princeton e Stanford.

Birkar é refugiado iraniano no Reino Unido. Professor e pesquisador da Universidade de Cambridge, estuda geometria algébrica e a Teoria de Galois.

A medalha

A imagem impressa em uma das faces da medalha é de Arquimedes, um dos mais renomados matemáticos gregos da Antiguidade Clássica. No verso, há uma frase em latim que, em tradução livre, diz: “Os matemáticos do mundo inteiro reunidos premiam-no [com esta medalha] por sua obra destacada”.

Além da insígnia, os medalhistas recebem 15.000 dólares canadenses, o equivalente a 43.000 reais, em dinheiro.

Um matemático canadense, em 1924, J. C. Fields, é apontado como criador da medalha. Ele doou fundos que permitiram o financiamento do prêmio. As honrarias são entregues a cada quatro anos a quatro cientistas com menos de 40 anos que tenham feito pesquisas destacadas na área. O primeiro matemático a receber a Fields foi o finlandês Lars Ahlfors, em 1936.

(Com Agência Brasil, AFP e Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. A matemática não foi golpeada, ferida, assaltada, estuprada ou sequestrada, no Rio de Janeiro, ela é uma ciência e está acima de toda perversidade que se instalou na sociedade carioca!
    Quem compraria uma medalha destas? Um patife!
    Ahhhh, o ouro, a taça Jules Rimet que o diga, roubar e tratar visitantes como otários, é uma prática popular no Rio de Janeiro, que só denigre a imagem coletiva!
    Quem liga?

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  2. Lamentável, mas emblemático o acontecimento. Por que? Não por ter ocorrido no Brasil, porque nosso país já foi indigno de coisa mais esdrúxula. Mas pelo fato de que jamais conseguirão roubar os conhecimentos do iraniano Caucher Birkar. E é isso que nossos governantes e políticos não entendem ou não querem entender: conhecimento é pra toda vida; atribui ao possuidor a capacidade de discernir. E, como consequência disto, teremos melhores eleitores, o que não é bom “negócio” para esses pilantras, ladravazes, vampiros dos cofres públicos que estão, hoje, na política.

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