Mateus Simões chama Marcelo Aro de ‘fisiológico’ e diz que ex-aliado ‘não representa Minas’
Ex-secretário é cotado para disputa ao governo com apoio do União Progressista, Republicanos e PL — garantindo palanque de Flávio Bolsonaro
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que a possibilidade de candidatura de Marcelo Aro (PP) ao governo do estado não atrapalha seu projeto de reeleição e classificou o ex-aliado como um político “fisiológico”, além de um “desapontamento pessoal”.
As declarações foram feitas durante o programa Ponto de Vista, de VEJA, na manhã desta terça-feira, 4, ao ser questionado sobre os efeitos da desistência da candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao Executivo estadual e a ascensão de Aro para o posto com apoio de lideranças da direita.
“Lamento muito que o Marcelo [Aro] seja candidato. É um desapontamento pessoal para mim. Marcelo foi meu aluno na universidade e ver um jovem se levantar contra um governo do qual fez parte por quatro anos, tentando se aproveitar do trabalho desse governo para se lançar como candidato. Ele foi defendido por mim até uma semana atrás, como candidato ao Senado. É algum tipo de decepção”, afirmou Simões.
Marcelo Aro foi secretário da Casa Civil e de Governo na gestão de Simões e, anteriormente, na de Romeu Zema (Novo), e deixou o cargo no governo para disputar o comando do Palácio Tiradentes. Após a decisão, Zema chegou a chamá-lo de “traidor” e “ave de rapina”.
Durante a entrevista ao Ponto de Vista, Simões afirmou não ver Aro como uma “ameaça” à sua candidatura, uma vez que, segundo ele, o ex-aliado não representa a centro-direita. “O Marcelo é um político fisiológico, sempre foi. As ligações dele com o Eduardo Cunha, que são históricas, e com esse lado da política de acompanhar o poder. O meu espaço político eu disputo com o Nikolas [Ferreira, do PL], com o Cleitinho”, disse o atual governador.
Segundo a Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho liderava em três cenários de primeiro turno, oscilando entre 34% e 35% das intenções de voto. Com a saída do senador da disputa ao Palácio Tiradentes, há a expectativa de que Republicanos e PL possam embarcar com o União Progressista na candidatura de Aro, consolidando o palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no estado. A candidatura dele, no entanto, ainda não foi oficializada.
O governador de Minas também fez críticas ao PT no estado, disse que o partido de Lula não tem “chance de vitória” e defendeu que a centro-direita precisa se reorganizar.
“Aqui em Minas, o cenário para a direita conservadora e a centro-direita é muito positivo. Porque o PT fez tanta bobagem em Minas Gerais que ninguém quer o PT de volta. Mas nós da centro-direita temos que nos reorganizar (… ) Estou focado na discussão em entender o que o Cleitinho vai fazer, entender como é que ele e o PL vão se posicionar ao final disso”, disse.







