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Marina é posta na defensiva por causa de denúncias contra seu marido

Aldo Rebelo atacou Fábio Vaz de Lima, que responde a processo na Justiça Federal do Maranhão por desvio de 40 milhões de reais

Por Gabriel Castro - 12 Maio 2011, 18h22

Fora dos holofotes desde o período eleitoral, Marina Silva voltou à cena graças à votação do Código Florestal e às acusações feitas contra seu marido, Fábio Vaz de Lima. Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, ela reafirmou a tese de que as acusações foram motivadas por perseguição política. Mas, numa situação à qual não está acostumada, foi colocada na defensiva com as perguntas sobre a atuação do marido.

A principal denúncia contra o engenheiro agrônomo, casado há 25 anos com Marina, é a de que ele comandaria uma agremiação de ONGs que teria se apropriado ilegalmente, em 2004, de madeira extraída de forma clandestina. Segundo Marina Silva, a denúncia é irreal porque o fato ocorreu cinco anos após Fábio deixar o comando da instituição.

Em um processo que tramita na Justiça Federal no Maranhão, Fábio é investigado por participar de um empreendimento que desapareceu com 40 milhões de reais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Na época, ele era assessor do governador do Acre, Binho Marques (PT).”Ele é citado no processo apenas por estar presente em uma reunião em que isso foi discutido. E não por ter qualquer envolvimento”, afirmou Marina.

No mesmo caso, a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney é citada. Roseana é irmã de Zequinha Sarney, líder do PV na Câmara. Zequinha estava ao lado de Marina na coletiva desta tarde.

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Sobre outro caso nebuloso, em que o Tribunal de Contas da União apontou irregularidades na doação de madeira apreendida a uma entidade não-governamental ligada a Fábio, a ex-ministra repetiu a tese de perseguição: “Isso não é verdade. Nenhuma ONG tem ligação com meu marido”.

Fábio Vaz de Melo também foi contratado por Sibá Machado (PT-AC), suplente de Marina, quando ela deixou o Congresso para assumir o Ministério do Meio Ambiente, em 2003.

A alegação de Marina, que diz ser vítima de uma perseguição, é até plausível. Mas, se as denúncias contra Fábio não passam de invenção para atingir Marina, os detratores não teriam preferido mirar no alvo principal?

Críticas – Irritado com uma crítica da ex-senadora no Twitter, o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP) usou o microfone do plenário para lançar suspeitas sobre o marido dela. O parlamentar disse ter atuado, a pedido da então ministra do Meio Ambiente, para evitar que a Câmara convocasse Fábio para depor na CPI da Biopirataria. Na época, Aldo era ministro da Articulação Política (e não líder do governo na Casa, como ele mesmo havia dito equivocadamente). A reação ocorreu depois que Marina ter afirmado que Aldo incluiu “pegadinhas” no textro.

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Nesta quinta-feira, a candidata derrotada à Presidência reafirmou a tese. Ela e a bancada do PV na Câmara apresentaram uma lista de doze pontos com os quais discordam no texto do Código Florestal. A proposta final só deve voltar a plenário no dia 24 de maio.

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