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‘Marina discutiu tributar grandes fortunas’, diz economista do PSB

José Antonio Sant'ana criticou falta de transparência do BNDES e disse que, se eleita, a candidata não fará 'mudanças radicais na economia'

O economista José Antonio Sant’ana, ligado ao PSB, afirmou nesta quinta-feira que a candidata do partido à Presidência da República Marina Silva discutiu internamente com sua equipe de campanha a possibilidade de, no âmbito de uma reforma tributária, defender a tributação de grandes fortunas. O Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) está previsto na Constituição, mas nunca foi regulamentado. Em seu programa de governo, porém, Marina não faz referência ao assunto.

“O programa de governo é bem mainstream, ortodoxo. A Marina fala de vez em quando em tributar grandes fortunas. Mas é um negócio complicado. Ninguém sabe como seria”, disse o economista, ao participar do seminário “Programas Econômicos em Debate”, promovido pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal.

A uma plateia formada por economistas e funcionários do corpo diplomático, o representante do PSB disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é uma “caixa-preta” e explicou que o Conselho de Responsabilidade Fiscal que será criado se Marina for eleita funcionará “quase” como uma agência reguladora para monitorar os empréstimos e subsídios ofertados pelo órgão de fomento. “O BNDES é uma caixa preta que não responde a ninguém. Qual o valor dos subsídios que nós, pagadores de impostos, estamos repassando às empresas nacionais? E para comprar uma empresa no exterior? Não sabemos”, disse.

Sant’ana atribuiu a “ideias de marqueteiro político” boatos explorados por adversários de Marina, como informações distorcidas sobre um possível enfraquecimento dos bancos públicos, efeitos da autonomia do Banco Central para a população e perda de importância da exploração do pré-sal. E voltou a afirmar que a política de comércio exterior do PSB prevê acordos bilaterais com Estados Unidos, Ásia e Europa. “Para desespero do nosso pessoal de relações exteriores, essa coisa de ficar olhando para a Argentina, Venezuela e Colômbia esperando se tem acordo ou não tem acordo tem que acabar. É bom que o Mercosul vá com a gente, mas não tem sentido ficar amarrado ao Mercosul”, opinou.

Questionado sobre as teorias do economista francês Thomas Piketty, autor de O Capital no Século XXI, em que analisa a riqueza e a desigualdade nas sociedades capitalistas e propõe a adoção de um imposto de até 80% sobre o patrimônio dos mais ricos, Sant’ana disse que, se eleita, Marina Silva pretende ter um “Estado regulador”, mas sem “mudanças radicais na economia”. “A ideia, mais que de um Estado revolucionário ou transformador, é de um Estado regulador. O mercado funciona, mas precisa de alguém que bote ordem na casa. A ideia é ir para o social, mas sem grandes movimentos revolucionários ou de mudanças radicais na economia”, disse.

José Antonio Sant’ana afirmou ainda que, se eleita, Marina Silva vai estimular investimentos da iniciativa privada e reduzir o número de ministérios para melhorar a administração pública. “Como um presidente com 39 ministros consegue administrar? Imagino uma empresa multinacional com 39 diretores. Ele conversa com 5 ou 6. O resto encontra em um coquetel. Vai haver redução de ministérios? Com certeza. Não quer dizer fechar ministérios, mas [o ministério extinto] vira uma secretaria dos ministérios”, disse.

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‘Ninguém ganha eleição de véspera’, diz Aécio

Fator previdenciário – Também no seminário promovido pelo Conselho Regional de Economia, o economista Mansueto Almeida, do PSDB, disse que o candidato Aécio Neves, se eleito, pode se comprometer com o Congresso a apoiar a revisão do fator previdenciário, mas ressaltou que a extinção da regra “depende de negociação”. Ele disse que o próprio ex-presidente Lula, egresso de quadros sindicais, vetou o fim do índice em 2010 “porque havia um custo muito grande”. O fator previdenciário combina a idade do contribuinte, o tempo de pagamento ao INSS e a expectativa de vida do brasileiro para calcular as aposentadorias.

Ao apresentar as propostas do candidato do PSDB, o economista afirmou que pode demorar até três anos para que seja feito um ajuste fiscal que aumente o superávit das contas públicas. ” “No Brasil não dá para fazer ajuste fiscal forte pelo lado da despesa num curto prazo. Ajuste fiscal, recuperar o [superávit] primário, tem que ser uma politica gradual que vai durar de dois a três anos”, ressaltou. Prazo semelhante também seria necessário para levar a inflação para o patamar de 4,5%, centro da meta do governo federal.