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Marido de grávida morta em acidente vai depor esta semana

Segundo testemunha, Landerson Rodrigues dirigia o veículo no momento da colisão. A PM diz que era Lilian quem conduzia

Por Bruno Huberman - 3 jan 2012, 13h31

O vendedor Landerson Correa Rodrigues, de 37 anos, marido da mulher grávida que morreu em um acidente de carro na madrugada do último domingo, em São Paulo, deve ser ouvido ainda esta semana. A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Airton Santeamore, do 16º Distrito Policial, na Vila Clementino. No depoimento, o delegado pretende esclarecer afinal quem conduzia o veículo no momento do acidente. Baseado em informação prestada pelos policiais militares que prestaram socorro no local da batida, o boletim de ocorrência diz que a mulher, Lilian Maria dos Santos, de 30 anos, estava ao volante. Testemunhas do caso, no entanto, afirmam que Rodrigues conduzia no momento da colisão. O representante comercial Carlos Alberto de Souza Dias, de 29 anos, dirigia o carro que se chocou contra o automóvel em que estavam as vítimas, no cruzamento de uma avenida no Jardim da Saúde, na zona sul da capital paulista. Um exame Instituto Médico-Legal (IML) confirmou que o representante comercial estava embriagado. O amigo de Dias que estava no banco do passageiro, Eduardo Goulart, afirmou ao site de VEJA, porém, que a colisão foi causada pelo marido da vítima, que teria cruzado o sinal vermelho. “Eu vi o outro carro cruzando e falei pro Carlos brecar, mas não deu tempo e batemos”, afirma Goulart. “Quem foi totalmente imprudente foi o motorista do outro veículo. Na hora do acidente, eu tinha certeza que nós eramos as vítimas.” Gourlart diz que testemunhas que presenciaram o acidente lhe contaram que Landerson Rodrigues conduzia o carro e também estaria alcoolizado. Para o delegado, mesmo que fique provado que o marido estava embriagado ao volante, a pena de Dias não será atenuada. Ele é acusado de duplo homicídio doloso. Lilian morreu no local do acidente e os médicos a submeteram a uma cesariana de emergência no Hospital São Paulo, na tentativa de salvar a vida do bebê. O menino, que estava no sétimo mês de gestação, chegou a ficar na UTI, mas não sobreviveu. “Uma culpa não vai tirar a outra”, diz Santeamore. “Se ambos estavam embriagados, ambos serão culpados pelas mortes.” Marco Antonio Arantes, advogado de Rodrigues há dois anos, afirma que o seu cliente não estava embriagado no instante da colisão. Arantes, contudo, não confirma se era o marido ou a mulher quem conduzia o veículo. “Ele está muito abalado. Ainda não consegui tratar desse assunto com ele”, diz o advogado. “A única coisa que me disse que foi que gostaria de ver justiça no caso.” Rodrigues já havia perdido a primeira mulher e um filho em outro acidente de carro. Apenas um laudo do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica, previsto para ser divulgado em até trinta dias, vai determinar detalhes do acidente, como quem era o condutor e a que velocidade estavam os carros. O delegado Santeamore disse que, no momento, a polícia reúne imagens da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da região do acidente para tentar esclarecer essas questões. Dias foi encaminhado na segunda-feira ao Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. Além do crime de duplo homicídio doloso, ele é acusado também de embriaguez ao volante, lesão corporal e lesão corporal grave (por ter acelerado o parto do bebê). Em seu carro foram encontradas bebidas alcoólicas. O representante comercial já havia se envolvido em outro acidente por dirigir bêbado. Na ocasião, ele foi indiciado por embriaguez ao volante e lesão corporal. Nos artigos em que foi enquadrado, não cabe fiança.

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