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Marcos Valério diz ao STF que não pode ser condenado

Por Da Redação 8 set 2011, 19h47

Por Felipe Recondo

Brasília – O empresário Marcos Valério, um dos principais artífices do mensalão, alegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não pode ser condenado por supostamente intermediar o financiamento do esquema se o ex-presidente Lula, um dos principais beneficiários, de acordo com ele, não foi sequer denunciado.

Nas alegações finais encaminhadas ontem ao STF, o advogado de Valério argumentou que interessaria no processo julgar as condutas daqueles que seriam os interessados na compra de votos e de apoio da base aliada, incluindo o presidente Lula, seus ministros, o PT e os partidos que integravam a base e que receberam recursos do esquema. Condená-lo, argumentou Valério, seria dar “importância desmedida” ao “simples operador intermediário”.

“Analisada a versão dada aos fatos na própria denúncia oferecida pelo Procurador Geral da República (…) o empresário Marcos Valério seria, apenas, o operador do intermediário dos repasses de recursos financeiros, sempre sob orientação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, a Partidos Políticos e parlamentares da base aliada do governo federal”, argumentou o advogado de Valério, Marcelo Leonardo.

Relevante para o processo, conforme Valério, “seriam as condutas dos interessados no suporte político “comprado” (presidente Lula, seus ministros e seu partido) e dos beneficiários financeiros (partidos políticos da base aliada), sendo o PT o verdadeiro intermediário do suposto “mensalão”. Valério é o segundo réu do mensalão a cobrar que se responsabilize o ex-presidente Lula no caso. Em seguidos pedidos ao Supremo, o ex-deputado Roberto Jefferson, delator e beneficiário do esquema, cobrou a inclusão de Lula na lista de investigados e denunciados pelo Ministério Público.

Nas alegações finais, além de argumentar que a base de sustentação do governo Lula “habilidosamente” tirou o foco dos que ele considera os verdadeiros protagonistas políticos daquele momento: Lula, ministros do governo, dirigentes do PT e dos partidos da base. Além desses argumentos, Marcelo Leonardo pediu a absolvição de seu cliente por falta de provas e erros na denúncia do MP. Valério será julgado pelos crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.

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