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Manifestantes mantêm ocupação da reitoria da USP

Grupo que pichou paredes e depredou porta permanece no saguão do prédio. Eles querem eleições diretas para a cúpula da universidade

Manifestantes mantém nesta quarta-feira a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), Zona Oeste da capital paulista. Um grupo de cerca de 400 pessoas exige, desde a tarde de ontem, eleições diretas para a cúpula de comando da universidade. Eles bloqueiam o saguão de entrada da reitoria da USP. Segundo a Polícia Militar, a situação está tranquila e a manifestação é pacífica. Um oficial do 16º batalhão permanece no local para garantir a segurança de pedestres e participantes do protesto.

A USP não registrou incidentes durante a madrugada. Não houve confronto durante a entrada do grupo na reitoria, ainda na terça-feira, mas paredes foram pichadas e a porta de vidro do prédio, quebrada. Professores também protestaram fora do edifício.

O Conselho Universitário (CO), instância máxima da instituição, aprovou mudanças no processo de escolha de reitor e vice-reitor: redução dos turnos da eleição de dois para um e consulta informativa, sem caráter decisório, à comunidade universitária. Mas os manifestantes querem voto paritário, eleições diretas e o fim da lista tríplice.

Durante o protesto, os manifestantes tentaram arrombar as portas da sala onde ocorria a reunião do conselho, mas foram impedidos pelos seguranças que estavam dentro. “As mudanças foram cosméticas, não alteram praticamente nada. Esperamos uma resposta da universidade para sair do prédio”, afirmou Pedro Serrano, representante do Diretório Central de Estudantes (DCE).

O DCE protocolou um pedido para anular as decisões do conselho e submeter as propostas a um plebiscito na universidade.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Neli Wada, relatou que o clima era tenso. “Rodas [João Grandino Rodas, reitor] estava acuado com o protesto, mas autoritário como sempre.” Segundo ela, os servidores do CO foram impedidos de voltar à reunião após terem saído da sala para falar com os manifestantes.

Regras – A eleição para reitor e vice passa agora a ter turno único, com participação de cerca de 2 000 representantes do CO, Conselhos Centrais, Congregações das Unidades e Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados – no modelo atual da eleição, eles votavam no primeiro turno.

Esses representantes escolhiam, então, oito nomes, que iam para o segundo turno, em que votavam 330 eleitores (integrantes do CO e conselhos centrais). Essa segunda fase foi suprimida. Agora, os representantes elegem direto a lista tríplice, que continua sendo passada para o governador, responsável pela palavra final. No último pleito, em 2009, Rodas foi escolhido pelo então governador José Serra (PSDB) – mesmo sem ser o líder de votos da lista tríplice.

A consulta a todos os alunos, docentes e funcionários, cujo resultado será divulgado cinco dias antes da eleição, terá apenas caráter de consulta, sem papel deliberativo. Outra mudança é que os candidatos deverão se desligar dos cargos de chefia ou direção logo na inscrição.

Os docentes também terão que inscrever suas chapas e programas de administração previamente. Antes, todos os professores titulares da USP eram potenciais candidatos, sem inscrição prévia ou formação de chapa. A proposta de abrir as próximas reuniões do CO para a comunidade acadêmica, reivindicada pelos manifestantes, foi rejeitada pelo conselho, por maioria. O mandato de Rodas vai até 25 de janeiro e o calendário das eleições ainda não foi definido.

(Com Estadão Conteúdo)