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Malvinas: Trezentos chilenos em busca de uma vida melhor e mais tranquila

Por Por Thomas Lyford-Pike 30 mar 2012, 15h55

O idioma espanhol com sotaque chileno é comum nas Malvinas quase 30 anos depois da guerra entre Argentina e o Reino Unido pelas ilhas, onde chegaram quase 300 chilenos em busca de melhores oportunidades e tranquilidade para viver.

A comunidade de imigrantes chilenos é a segunda em tamanho, em uma sociedade de 3.000 habitantes, apenas superada pelos oriundos da ilha atlântica de Santa Helena.

“Cheguei para trabalhar em 1992 e desde então vieram muitos chilenos, principalmente para a área de serviços, encanamento e coisas assim”, disse à AFP Alex, um chileno proprietário de um hotel em Puerto Argentino, onde a equipe de limpeza, composta por outras três pessoas, também é chilena.

A maior parte dos imigrantes do país sul-americano vem da capital Santiago ou de Punta Arenas, às margens do estreito de Magalhães apenas a uma hora e meia de voo das ilhas.

“Estou há sete anos nas Malvinas e viajo uma vez por ano a Punta Arenas; aqui há trabalho e fica mais perto para ir a Santiago”, disse Paula Muñoz, uma jovem funcionária de uma empresa de serviços portuários.

“Eu me encarrego da logística dos barcos que auxiliam uma plataforma de exploração petrolífera nas águas próximas”, explicou a mulher, que vestia um colete florescente e capacete.

Os chilenos chegam à Malvinas frequentemente através de algum conhecido que já está trabalhando nas ilhas ou por vínculos familiares.

“A irmã do meu marido se casou com um morador da ilha em 2000, então viemos em 2003 em busca de melhores oportunidades de trabalho”, contou Catherine Acevedo, de 33 anos e funcionária de um hotel local.

Em uma cidade que não tem cinema e a sala mais próxima está na base militar britânica de Mount Pleasant a uma hora de viagem, Acevedo explicou que nos fins de semana costumam de percorrer as ilhas ou ir pescar.

“Quem chega aqui é muito bem recebido, não te discriminam por nada. A maioria de nós não chegou falando um inglês perfeito, mas com os anos vamos aprendendo”, disse.

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Os chilenos que têm filhos também recebem educação gratuita e têm plano de saúde se, como explicaram, tiverem uma autorização de trabalho.

Essa permissão de trabalho, segundo as leis locais, pode se transformar depois em uma de residência e com o tempo, na cidadania britânica.

Tanto Alex como Acevedo destacaram a tranquilidade e a segurança com que se vive nas ilhas.

“As pessoas deixam as portas abertas, as chaves nos carros e nada acontece”, disse Alex.

“É super tranquilo para as crianças, não ficamos preocupadas o tempo todo sobre onde estão e essas coisas”, explicou Acevedo.

O chefe da polícia local, Barry Marsden, de 51 anos, disse àAFP que o total da força é de 15 pessoas e que, atualmente, a prisão tem quatro detidos, todos por crimes sexuais.

“A lei é muito rígida aqui”, disse Acevedo.

Apesar das dificuldades para se reunir, cerca de 20 chilenos conseguiram se reunir em um pub local esta semana a pedido de um canal de televisão de seu país.

Entre as palavras em espanhol que vinham de todos os cantos de um pub que poderia estar em Londres, estavam a de Héctor, que vive nas Malvinas há cerca de 40 anos, portanto, desde antes da guerra.

Como a maioria dos chilenos nas ilhas, ele se mostrou relutante em falar com a AFP, principalmente porque não quer ter problemas com os moradores locais.

“Há coisas das quais poderia falar, outras, não”, disse enigmaticamente.

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