Maioria dos usuários no Brasil já confundiu deepfake com realidade, aponta pesquisa inédita
Dados da Mobile Time/Opinion Box revelam dificuldade dos internautas em discernir vídeos gerados por IA; nem todos checam informações que recebem de chatbots
Sete em cada dez internautas no Brasil (70,2%) já acreditaram que um vídeo era real e depois descobriram que se tratava de um deepfake. Dados inéditos da pesquisa Super Panorama Mobile Time/Opinion Box, publicados com exclusividade por VEJA, indicam que os usuários brasileiros têm dificuldade em discernir conteúdo gerado por inteligência artificial com características realistas.
Segundo a pesquisa, menos de um quinto dos usuários (18,7%) se consideram capazes de identificar deepfakes de imediato. Outros 72,1% dos internautas dizem que “às vezes” percebem que um vídeo foi produzido ou alterado por IA, enquanto 5,5% dos afirmam que não conseguem detectar as diferenças. O levantamento entrevistou 4.138 brasileiros maiores de 16 anos que possuem um smartphone.
O alarmante dado traz à tona a vulnerabilidade da população online a golpes digitais, no cenário em que cibercriminosos adotam técnicas cada vez mais sofisticadas para enganar o usuário incauto. Na última semana, a TV Cultura alertou para o crescimento do “golpe do Roda Viva”, que simula episódios de falsas brigas durante o programa de entrevistas e conduz o leitor a uma plataforma fraudulenta de investimentos — todo o esquema é automatizado e utiliza deepfakes de jornalistas, banqueiros e políticos reais.
Outro risco que cresce em 2026 é a desinformação eleitoral e política nas redes sociais. Projetos como Agência Lupa e Observatório IA nas Eleições detectam, diariamente, casos que utilizam deepfakes de políticos, organizações ou localidades reais em situações que nunca aconteceram — exemplos recentes incluem um falso vídeo em que Lula diz que as esposas seriam culpadas por traições dos maridos, e cenas fictícias de um veículo blindado da polícia do sendo alvejado por facções criminosas no Rio de Janeiro.
Hábito de checar respostas obtidas por IA ainda é raro, indica pesquisa
Também de acordo com a pesquisa Mobile Time/Opinion Box, apenas quatro em cada dez usuários (39,3%) de chatbots avançados, como ChatGPT, Gemini, Claude, Meta AI e DeepSeek, possuem o hábito de checar sempre as respostas que recebem dos robôs. A maioria dos entrevistados (51,4%) afirma que “às vezes” verifica a autenticidade das informações recebidas via assistentes de IA.
Uma pequena parcela (9,3%) revela que nunca checam as respostas vindas dos chatbots — postura que expõe o internauta a riscos, visto que as próprias plataformas citadas alertam em suas páginas que a inteligência artificial pode errar nos resultados. A pesquisa ouviu 3.128 usuários de assistentes de IA generativa no Brasil.






