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Maioria dos usuários no Brasil já confundiu deepfake com realidade, aponta pesquisa inédita

Dados da Mobile Time/Opinion Box revelam dificuldade dos internautas em discernir vídeos gerados por IA; nem todos checam informações que recebem de chatbots

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jun 2026, 17h11
Maioria dos usuários no Brasil já confundiu deepfake com realidade, aponta pesquisa inédita Priorizar nos meus resultados Google

Sete em cada dez internautas no Brasil (70,2%)  já acreditaram que um vídeo era real e depois descobriram que se tratava de um deepfake. Dados inéditos da pesquisa Super Panorama Mobile Time/Opinion Box, publicados com exclusividade por VEJA, indicam que os usuários brasileiros têm dificuldade em discernir conteúdo gerado por inteligência artificial com características realistas.

Segundo a pesquisa, menos de um quinto dos usuários (18,7%) se consideram capazes de identificar deepfakes de imediato. Outros 72,1% dos internautas dizem que “às vezes” percebem que um vídeo foi produzido ou alterado por IA, enquanto 5,5% dos afirmam que não conseguem detectar as diferenças. O levantamento entrevistou 4.138 brasileiros maiores de 16 anos que possuem um smartphone.

O alarmante dado traz à tona a vulnerabilidade da população online a golpes digitais, no cenário em que cibercriminosos adotam técnicas cada vez mais sofisticadas para enganar o usuário incauto. Na última semana, a TV Cultura alertou para o crescimento do “golpe do Roda Viva”, que simula episódios de falsas brigas durante o programa de entrevistas e conduz o leitor a uma plataforma fraudulenta de investimentos — todo o esquema é automatizado e utiliza deepfakes de jornalistas, banqueiros e políticos reais.

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Outro risco que cresce em 2026 é a desinformação eleitoral e política nas redes sociais. Projetos como Agência Lupa e Observatório IA nas Eleições detectam, diariamente, casos que utilizam deepfakes de políticos, organizações ou localidades reais em situações que nunca aconteceram — exemplos recentes incluem um falso vídeo em que Lula diz que as esposas seriam culpadas por traições dos maridos, e cenas fictícias de um veículo blindado da polícia do sendo alvejado por facções criminosas no Rio de Janeiro.

Montagem de vídeo com Lula, de barba branca e camisa azul, falando à esquerda, e um carro blindado da polícia em rua urbana à direita. Um texto amarelo sobrepõe Lula: ele é vítima da esposa que é casada com ele também. Uma faixa vermelha diagonal com a palavra Ai em branco divide as imagens
Vídeos gerados por IA que circulam nas redes sociais: um deepfake do presidente Lula culpando mulheres por serem traídas, e um falso blindado da Polícia do Rio de Janeiro sendo alvejado por balas (Observatório IA nas Eleições/Reprodução)
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Hábito de checar respostas obtidas por IA ainda é raro, indica pesquisa

Também de acordo com a pesquisa Mobile Time/Opinion Box, apenas quatro em cada dez usuários (39,3%) de chatbots avançados, como ChatGPT, Gemini, Claude, Meta AI e DeepSeek, possuem o hábito de checar sempre as respostas que recebem dos robôs. A maioria dos entrevistados (51,4%) afirma que “às vezes” verifica a autenticidade das informações recebidas via assistentes de IA.

Uma pequena parcela (9,3%) revela que nunca checam as respostas vindas dos chatbots — postura que expõe o internauta a riscos, visto que as próprias plataformas citadas alertam em suas páginas que a inteligência artificial pode errar nos resultados. A pesquisa ouviu 3.128 usuários de assistentes de IA generativa no Brasil.

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