Mafiusi: Justiça nega troca de presídio para integrante do PCC aliado da máfia italiana
Defesa diz que Marlon da Conceição Santos não pertence ao grupo criminoso e afirma que ele não pode ficar em cadeia destinada aos condenados em definitivo
A Justiça paulista negou transferência de presídio para Marlon da Conceição Santos, apontado pelas autoridades brasileiras como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), e preso provisório no âmbito da operação Mafiusi, que apura ligação da organização criminosa paulista com a máfia italiana ‘Ndrangheta para tráfico internacional de drogas. A defesa de Santos nega que ele seja “faccionado”.
Santos queria a transferência de um presídio da região de Presidente Prudente para a Baixada Santista ou capital paulista a fim de ficar próximo de seus familiares. De acordo com decisão do juiz Helio Narvaez, proferida na terça-feira, 4, “…diante das informações prestadas pela autoridade administrativa, a movimentação carcerária encontra-se dentro do poder discricionário exercido pela Administração Pública em seus atos”.
“No caso em análise, conforme informação acostada aos autos, o requerente se trata de pessoa com alta periculosidade, preso na operação ‘Mafiusi’, realizada para a apuração e desarticulação de organização criminosa, dedicada ao tráfico internacional de narcóticos, onde o interno apresenta fortes indícios de ligação com a máfia italiana ‘Ndrangheta”, citou o magistrado Narvaez.
O Ministério Público se posicionou contra o pedido formulado pela defesa de Santos. “A pretensão não comporta acolhimento, impondo-se a primazia do interesse público e da segurança da sociedade em detrimento da conveniência particular do custodiado”, registrou o promotor Bruno de Paula Souza Marques. “A despeito de a Lei de Execução Penal prever o direito de visitação familiar, a permanência do segregado em estabelecimento próximo ao seu núcleo afetivo não se reveste de caráter absoluto e não pode subjugar a ordem pública.”
Os advogados de Santos que assinam as petições alegaram que ele está preso de maneira provisória em um estabelecimento prisional destinado para custodiados em cumprimento de pena após condenação transitada em julgado. “Trata-se de preso provisório, portanto, o requerente não está cumprindo pena com trânsito em julgado como os demais detentos locados na Penitenciaria II de Presidente Venceslau. Além de não ser um custodiado considerado periculoso conforme seus antecedentes, muito menos ‘faccionado'”, citaram os defensores Felipe Fontes dos Reis Costa Pires de Campos e Claudia Rodrigues Ignacio.
A operação Mafiusi foi deflagrada no final de 2024 “revelou evidências de um esquema estruturado de movimentação de dinheiro em espécie, transações de câmbio paralelo, uso sistemático de fintechs e empresas de fachada, além da criação de documentos fictícios utilizados para dissimular a origem dos valores ilícitos sob o pretexto de serviços de locação de veículos e máquinas”, informou a Justiça Federal do Paraná. A droga saía do Brasil por meio do porto de Paranaguá, no Paraná, com destino a Espanha.
“As investigações da PF apontam ainda que a liderança do grupo criminoso teria aplicado parte dos recursos provenientes do tráfico internacional de drogas na aquisição de um time de futebol, por meio de interposta pessoa, além de manter conexões com a alta cúpula” do PCC. A movimentação financeira do tráfico envolvendo articulação da máfia calabresa girou em torno de 2 bilhões de reais em quatro anos.







