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Máfia do ISS: Quarta empresa admite pagamento de propina

Incorporadora Trisul confirmou ter pago de 70.000 a 200.000 reais para liberação de empreendimentos. Outras três empresas já reconheceram a fraude

Por Da Redação 19 dez 2013, 08h22

A incorporadora Trisul confirmou ao Ministério Público Estadual (MPE) que fez pagamentos para a máfia do imposto sobre serviços (ISS) para ter obras aprovadas. A empresa é a última a ser ouvida de uma lista de seis que haviam sido denunciadas pelo auditor fiscal Luis Alexandre Cardoso de Magalhães como beneficiárias do esquema. Outras três já haviam admitido ter feito pagamentos. A denúncia foi feita antes de os promotores do caso descobrirem uma lista com 410 obras que foram alvo da ação.

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Segundo o promotor Roberto Bodini, que lidera as investigações sobre a quadrilha, a Trisul confirmou ter feito pagamentos em calores que variam entre 70.000 reais e 200.000 reais para a liberação de cinco empreendimentos. A data dos repasses, no entanto, não foi divulgada. “A Trisul até noticia a substituição no quadro deles (dos fiscais). Em determinada época, o Luis Alexandre saiu da sala (onde funcionava o setor de quitação do ISS) e a negociação foi feita por um outro auditor fiscal chamado William. Estamos identificando quem seria esse auditor”, disse o promotor.

A Trisul, segundo o MPE, manteve a versão dada por outras incorporadoras sobre o esquema. Além dela, Brookfield, Alimonti e Tarjab disseram que os pagamentos eram uma espécie de “obrigação”: quem não pagava à quadrilha não conseguia a guia de quitação do ISS e, assim, o Habite-se. A Tecnisa, outra citada, afirmou que contratava um despachante para cuidar do ISS, mas não descartou os pagamentos. Só a BKO – última das empresas denunciadas por Magalhães – negou que pagou propina para a máfia.

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Pacotes de dinheiro – “Os pagamentos eram feitos em dinheiro. Na época do Luis Alexandre, era no Café Vermont (localizado na Praça da República, no centro) e, quando esse William assumiu a cobrança da propina, eles eram obrigados a entregar as quantias na escada de incêndio do 11º andar do Edifício Andraus (onde funcionava parte da Secretaria Municipal de Finanças)”, afirmou o promotor.

Delação – As confirmações reforçam as denúncias contra Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral, apontados como integrantes da quadrilha. Magalhães e Eduardo Horle Barcellos, que também faziam parte do esquema, fizeram delação premiada e podem ter eventuais penas reduzidas.

Além da acusação contra os fiscais, o Ministério Público pretende acusar de corrupção os empresários que pagavam propina. Mas as evidências de 410 crimes de sonegação – que vêm de uma planilha com a contabilidade do grupo, descoberta pelo MPE – vão ser agora investigadas pela Polícia Civil, que deve interrogar os suspeitos de ligação com o esquema e cruzar as informações com dados tributários fornecidos pela prefeitura.

(Com Estadão Conteúdo)

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