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Mãe de estudante assassinado critica segurança pública em ato no Rio

Alex Schomaker Bastos levou seis tiros em ponto de ônibus em frente à UFRJ

Cerca de 200 pessoas realizaram neste domingo um ato em memória ao estudante de biologia Alex Schomaker Bastos, assassinado em um ponto de ônibus em frente ao campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) há três dias. A manifestação foi marcada por críticas ao governo estadual, ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e à sua política de segurança.

Aos prantos, a mãe do estudante, Mausy Schomaker, sentou-se no banco da parada de ônibus segurando um cartaz com a frase “Eu sou Alex” e a última foto do filho. Em discurso emocionado, ela criticou as políticas sociais e de segurança pública do Estado. Morto com seis tiros, Alex, de 23 anos, estava prestes a se formar. “O meu menino ia receber o diploma no dia 26. Pra que isso serve agora? Ele não vai ser biólogo, não vai ter filhos e não vai para Galápagos, como tanto queria. Esse buraco nunca mais vai fechar. Foi aberto pela violência e pelo pouco caso das autoridades Só a educação vai mudar isso aqui”, discursou a mãe, que é professora.

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Mausy rebateu a informação de que Alex teria reagido ao assalto antes de ser baleado. “Existe norma para ser assaltado? Dizem que meu filho reagiu ao assalto, que ele estava num lugar perigoso tarde da noite. Mas que história é essa? Todos têm o direito de pegar o ônibus que quiserem na hora que quiserem. O Alex foi mais uma vítima da brutalidade de uma sociedade extremamente desigual.” Em cartazes colados no ponto e espalhados pelo chão da praça, amigos mostravam sua dor e indignação.

Mausy disse que não tem como perdoar os assassinos. “O meu coração não tem capacidade de perdoar. Mas não quero vingança. Quero que a lei se cumpra”, discursou. “Agora vamos ter uma viatura da PM aqui por dois meses, depois isso desaparece”, discursou Luiz Rodolfo Viveiros de Castro, um amigo da família. Ele atacou a política de segurança do Estado, que segundo ele “concentra seus esforços para matar pobres nas favelas e reprimir manifestações”.

A namorada de Alex, Beatriz, disse não ter sentimento de vingança. “Se tivesse um momento a sós com os assaltantes, contaria a eles sobre a pessoa maravilhosa que ele era. Queria que tivesse sido eu. Ele era brilhante. Foi meu primeiro namorado, meu primeiro amor. Vou morrer amando-o.” No ano passado, Alex ganhou o prêmio de melhor trabalho de iniciação científica no Congresso da Sociedade Brasileira de Genética.

(Com Estadão Conteúdo)