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‘Madrasta e amiga mataram menino Bernardo’, diz delegada

Responsável pelo inquérito, a delegada Caroline Machado afirma ter convicção sobre a autoria do crime. Ela ainda investiga o papel do pai

A delegada de Polícia Civil Caroline Virgínia Bamberg Machado, responsável pela investigação da morte do menino Bernardo Boldrini no interior do Rio Grande do Sul, já tem certeza de quem foram os autores do crime: a madrasta e sua amiga. Bernardo, de 11 anos, foi encontrado enterrado em um matagal na cidade de Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos, onde morava com a família. Ele foi visto com vida pela última vez em 4 de abril acompanhado da madrasta, a enfermeira Graciele Boldrini, e da assistente social Edelvania Wirganovicz, amiga dela. A delegada Caroline está convicta de que elas assassinaram o garoto. Segundo a certidão de óbito, ele morreu às 18h30 daquela sexta-feira. Dois dias depois, o pai, o médico Leandro Boldrini, acionou a polícia por causa do “sumiço” do filho. O corpo, porém, só foi localizado pelos investigadores nesta segunda-feira, em estado avançado de decomposição. Graciele, Edelvania e Leandro estão presos temporariamente. Eles devem ser indiciados em até trinta dias por homicídio qualificado, de acordo com delegada. Leia a entrevista ao site de VEJA.

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A senhora já tem, de concreto, a autoria do crime? O fato é que a madrasta saiu com o menino sexta-feira após meio-dia e foi para Frederico Westphalen. Inclusive levou uma multa na ida e estava com o menino. Só ela e o menino. Lá se encontrou com a cúmplice para matar o menino. Mediante injeção letal, pelo que uma das autoras falou, mas isso vai ser comprovado mediante perícia.

Então a madrasta não matou com auxílio do pai? Não sabemos qual a participação do pai. Mas que ele teve, teve. Eu tenho certeza da participação do pai de alguma forma. Só me resta saber em que consiste. Só falta esclarecer isso.

O que lhe deu a convicção da autoria? Não posso falar o que me levou a ter essa convicção porque compromete a investigação. Foram as diligências feitas. Ainda faltam muitas pessoas para serem interrogadas. É um crime bárbaro.

A prisão do pai, madrasta e da amiga deles é temporária de 30 dias. O indiciamento será entregue antes disso? Não. [O indiciamento] não sai antes disso. Pretendo mandar o inquérito em 30 dias, mas dependo da perícia.

Como foi o depoimento do pai? Ele negou os fatos. Negou a participação.

O motivo do crime foi passional ou patrimonial? O motivo é outra coisa que precisamos averiguar. Faltam algumas respostas para saber se houve motivação patrimonial ou não. Solicitei informações ao judiciário e ainda não veio o resultado.

Quais materiais foram apreendidos? Encontramos a pá e a cavadeira utilizados para fazer o buraco onde o menino foi enterrado. E não foi no local do crime.