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Lula vai blindar Tuma Júnior para não se envolver em escândalo

Para não ter seu nome envolvido em um escândalo em pleno ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se manter afastado das decisões a respeito do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, alvo de uma investigação da Polícia Federal por envolvimento com um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo, Li Kwok Kwe. A decisão do presidente acaba por blindar Tuma Júnior, já que Lula não pretende sequer afastá-lo imediatamente do cargo.

A posição do presidente, porém, enfrenta objeções dentro do Planalto. Segundo a edição desta sexta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, um dos assessores de Lula acredita que as investigações apontam “sinais claros de tráfico de influência”. O relatório de inteligência da PF, ainda segundo o jornal, revela que Tuma Júnior é suspeito também de ter usado o prestígio do cargo para liberar as mercadorias apreendidas de um outro empresário chinês investigado por contrabando e evasão de divisas.

Tanto Lula quanto o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, não querem seus nomes atrelados ao de Tuma Júnior no noticiário. Mas o presidente pretende deixar a cargo de Barreto, superior imediato do secretário, as decisões sobre seu futuro. Ambos concordam que afastar Tuma Júnior do cargo atrairia mais atenção ao escândalo e, portanto, devem esperar a poeira baixar para sugerir a ele que se afaste por conta própria.

Investigações – Uma investigação sobre contrabando – chamada de Operação Wei Jin e iniciada em setembro do ano passado – levou a PF a interceptar ligações telefônicas e e-mails entre Tuma Júnior e Li Kwok Kwe, também conhecido como Paulo Li. O chinês está preso desde o ano passado, acusado de chefiar o esquema que trazia ilegalmente para o Brasil celulares falsificados da China, movimentando mais de 1 milhão de reais. Os aparelhos eram vendidos no comércio paralelo de São Paulo, como a 25 de Março, e do Nordeste. Li foi denunciado pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha e descaminho.

Logo após a prisão, o chinês ligou para Tuma Júnior na presença de agentes federais. Ao suspeitar que seu nome poderia ser citado no processo, o secretário de Justiça entrou em contato com a PF e pediu para prestar depoimento, no qual disse não saber das atividades ilícitas de Li. O envolvimento de Tuma Júnior – que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria – era mantido em sigilo desde então.

Tráfico de influência – Um relatório da PF aponta “possível comprometimento de Romeu Tuma Júnior com Fang Ze”, apontado nas investigações como integrante da rede de negócios de Paulo Li. A suspeita baseia-se em uma sequência de telefonemas em que Tuma Júnior trata de assuntos do interesse de Fange Ze com seu braço direito no Ministério da Justiça, o policial Paulo Guilherme Mello, o Guga. Segundo a PF, Tuma Júnior se vale do assessor Mello “para resolver eventuais problemas que lhe possam incriminar”.